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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Mais arte por favor - Carybé um talento de raiz argentina e coração baiano


Carybé  - foto: Acervo ©Instituto Carybé
Hector Julio Páride Bernabó (Lanús, Argentina 1911 - Salvador BA 1997). Pintor, gravador, desenhista, ilustrador, mosaicista, ceramista, entalhador, muralista. Depois de morar em Gênova, Roma, Rio de Janeiro e em cidades de outros países, mudou-se em 1950 definitivamente para Salvador, onde ficou até sua morte, durante uma cerimônia no terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, em 1° de outubro.
Nasceu a 7 de fevereiro num dia de chuva miúda e tão perto da meia-noite que não se sabe ao certo se nasci no dia que nasci ou no anterior”. Nasceu em Lanus, “espécie de subúrbio de Buenos Aires que tem o Riachuelo no meio: aquele mesmo rio da famosa batalha separa Buenos Aires de Lanus, dormitório de pistoleiros e guardacostas de políticos."

Pai cigano, não de galera e bastão, de alma, andou pela Argentina, Venezuela, Itália, Brasil. Carybé tinha seis meses quando a família foi para a Itália, onde ficaram nove anos. Em 1920 passaram a viver no Rio, em Bonsucesso. “Como estudante sempre fui ruim e tomei carinho às arvores, campinas, às praias, ao sol e à vagabundagem.” Quando ele completou 19 anos, retornaram à Argentina para ficar. Fala as três línguas de infância sem sotaque.
Aprendeu a desenhar em casa, vendo os irmãos mais velhos Arnaldo e Roberto que eram desenhistas, pintavam, esculpiam e trabalhavam em publicidade. Aos 21 anos Carybé começou a desenhar. Fazia cartuns, charges, ilustrações e escrevia - texto conciso, exato e bem humorado - tendo colaborado com diversos jornais e revistas de Buenos Aires e do Rio. “No inicio tinha um desenho comum, sem nada de especial. Como acho que todo mundo faz no começo de carreira, tive influência de outro artista: fiz desenho à moda de Grosz (famoso artista gráfico alemão radicado em Buenos Aires, dono de um desenho cáustico e irônico), que mudou-se para Nova York e foi absorvido pela ‘jungle’, nunca mais fez nada. Comi e digeri Grosz. Dele saí eu, como, não sei." Mas olhando um desenho de Carybé daquela época e comparando-o ao de Grosz, vemos que o único ponto em comum é o olho para o detalhe. Naqueles primeiros desenhos já se percebia a marca pessoal do seu estilo.

Carybé e Nancy - foto: Acervo ©Instituto Carybé
De cartunista resolveu passar às tintas e pincéis e em 1936 fez sua primeira exposição. Senhor de muitas andanças e vivências, fez de quase tudo, foi inclusive estivador e pandeirista no grupo que acompanhava Carmem Miranda, fato que seu amigo e colega Mirabeau Sampaio sempre pôs em dúvida.
Em 1938, é enviado a Salvador pelo jornal “Prégon” quando declarou: “me deram o melhor emprego do mundo – viajar e mandar desenhos. Mas quando cheguei a Salvador, o diário tinha falido”, acaba ficando desempregado e faz uma viagem por todo o litoral norte do Brasil. Nesta época começou a registrar a cultura local através de sua arte: a capoeira, o candomblé. Voltou para Buenos Aires e em 1939, fez sua primeira exposição coletiva, com o artista Clemente Moreau, no Museu Municipal de Belas Artes de Buenos Aires. No início dos anos 40 viajou pela América Latina, e passou alguns anos em Buenos Aires, onde trabalhou em jornais, como ilustrador de livros e traduziu o livro Macunaíma, de Mário de Andrade, para o espanhol. Em 1943 fez sua primeira exposição individual e ilustrou o livro "Macumba, Relatos de la Tierra Verde", de Bernardo Kordan.
No Rio de Janeiro, ajuda a fundar o jornal Diário Carioca, em 1946. Em 1949 é convidado por Carlos Lacerda a trabalhar em seu jornal, a Tribuna da Imprensa, onde fica até 1950.
Convidado pelo Secretário da Educação Anísio Teixeira, Carybé muda-se definitivamente para a Bahia, onde batalha pela renovação das artes plásticas, ao lado de outros artistas, como Mário Cravo Júnior, Genaro de Carvalho e Jenner Augusto.
Em 1957 naturalizou-se brasileiro, e é considerado um ícone de “baianidade”. Entre seus diversos amigos estava o escritor Jorge Amado, que escreveu O Capeta Carybé, onde define o amigo como alguém que “é todo feito de enganos, confusões, histórias absurdas, aparentes contradições, e ao mesmo tempo é a própria simplicidade (...)”.
A arte de Carybé foi por vezes um expressionismo marcante, com um sentimento carregado em cores escuras. Mas o que marcou presença foi o retrato de um povo, sua religião e seus costumes, passados por vezes de maneira surreal. 
Carybé trabalhando  - foto: Pierre Verger
Acervo 
©Instituto Carybé
Ao retratar o povo, Carybé não estava fazendo uma pintura de cunho social, não acreditava neste poder da arte. O que ele queria, e conseguiu, era passar para a tela seu testemunho de uma cultura rica em detalhes, e da qual ele fez questão de se aproximar.
Há uma história curiosa por trás do nome pelo qual o argentino Hector passou a ser conhecido. O artista pensava que seu apelido era derivado do nome de um pássaro pertencente à fauna brasileira e foi o amigo Rubem Braga quem esclareceu o mal entendido: Carybé é o nome de um mingau dado às mulheres que acabaram de parir. Com bom humor ele apenas disse: “que bom, eu adoro mingau.”
Carybé fez diversas ilustrações de livros para diversos autores da literatura, entre eles, Jorge Amado, Rubem Braga, Mário de Andrade e Gabriel García Marquez, além de ilustrar livros de sua autoria e co-autoria, como Olha o Boi e Bahia, Boa Terra Bahia, com Jorge Amado. Em 1981, após 30 anos de pesquisa, publica a Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia.
Carybé morreu em 1997, na cidade de Salvador.


“Sou um operário do pincel e trabalho uma média de quatorze horas por dia e não me desligo. É um trabalho que continua na cabeça, de noite. A famosa vida de artista é filha da mãe de trabalho, não tem nada a ver com o que o pessoal pensava em 1890, de Toulouse Lautrec, de farras, música e cabaré. O que existe é trabalho, treino, porque, se você para de trabalhar, esquece, perde a prática. Para mim, inspiração é o dia em que amanheço melhor e as coisas saem com mais facilidade. Artista tem que dormir as horas necessárias e se alimentar bem.”
- Carybé

Carybé  - foto: Acervo ©Instituto Carybé

"... a Bahia tem arte e arquitetura moderna, um povo alegre, simpático, sobretudo bom, ao mesmo tempo que fortalezas, catedrais e o mar que é maravilhoso." 
- Carybé, em entrevista a Clarice Lispector. In: Clarice Lispector - entrevistas. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2007. (Originalmente publicado na revista Manchete, em 28 de junho de 1969, nº 897, p. 44-45).




Carybé, Pablo Neruda e Jorge Amado, na Bahia - foto: Acervo ©Instituto Carybé

Carybé, Nancy e HRM Elizabeth II - foto: Acervo ©Instituto Carybé


Carybé e Vinicius de Moraes - foto: Acervo ©Instituto Carybé
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Pantera Negra e suas belas representações da cultura africana



O primeiro filme da Marvel Studios em 2018 se tornou um dos maiores filmes do estúdio e por se tratar de um filme que se passa na África, com um elenco majoritariamente negro, a Marvel optou por fazer a lição de casa e adaptou roteiro, figurinos e os cabelos dos personagens às culturas africanas.
A figurinista Ruth E. Carter disse ao Mic:
“Essa é a nova diáspora africana. Essa é uma nova forma de mostrar que a África tem uma voz e uma cultura que pode criar identificação. Houve uma época em que ninguém queria se identificar com a África, e sua beleza nunca foi expressada como é hoje e que é o futuro. Sempre foi uma forma de expressar militância ou protesto. E eu acho que, agora, é uma celebração da vida, cor, cultura e arte.”
Já a atriz Lupita Nyong’o, que interpreta Nakia, disse ao site da Reuters:
“A Marvel afeta a cultura popular e, ver essa cultura popular informada com coisas que são de origens africanas e as pessoas saberem disso, é algo poderoso. Espero que isso mude a noção do que é ser africano. Frequentemente vemos a África como um lugar de necessidade e aqui [no longa] é um lugar que você quer ir.”
Pensando nisso, decidimos listar algumas das muitas referências culturais utilizadas pela dupla Ruth E. Carter, figurinista, e Hannah Beachler, designer de produção, que passaram meses pesquisando e fazendo Wakanda ganhar vida.
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7NAMÍBIA

Muitos dos trajes têm um tom de terra vermelho distinto. Isto foi feito estudando as cores usadas pelo povo Himba do noroeste da Namíbia, que é conhecido por aplicar uma pasta ocre vermelha, conhecida como “otjize“, para sua pele e cabelo.


6AFRICA DO SUL E ZIMBÁBUE

Okoye (Danai Gurira), general das Dora Milaje têm roupas com um colar proeminente. Este colar são anéis de pescoço dos Ndebele, que usam anéis de pescoço como parte de sua vestimenta tradicional e como um sinal de riqueza e status.




4LESOTO

Oficialmente Reino do Lesoto; é um pequeno país da África Austral. Um enclave incrustado na África do Sul, montanhoso e sem saída para o mar, o país é o antigo reino da Basutolândia. O cobertor Basotho. Em várias cenas, W’Kabi (Daniel Kaluuya) e outros são mostrados vestindo cobertores basotho em torno de seus pescoços. Embora os cobertores sejam originalmente do povo do Lesoto, os desenhos são similares ao do povo Sesotho. O traje é uma espessa cobertura feita principalmente de lã. Os cobertores são onipresentes em todo o país durante todas as estações, e usado de forma diferente para homens e mulheres.


3GANA

O cachecol Kente de T’Challa (Chadwick Boseman). Este é um tipo de tecido de seda e algodão feito de tiras de pano entrelaçados e é nativo do povo Akan, de Gana. O Kente é o tecido mais apreciado entre todos os tecidos africanos, adotado mundialmente em toda a diáspora desde os anos sessenta, como símbolo de pan-africanismo e identidade afrocentrica. Além disso, continua a ter a mesma importância na vida cultural dos Axanti, seus criadores. A história do Kente esta mesclada com a do Império Axanti e sua corte real baseada em Kumase, dentro da zona florestal de Gana.

2ETIÓPIA

As marcas tribais ritualísticas de Erik Killmonger (Michael B. Jordan), em seu peito, braço e costas, assemelham-se a cicatrizes de tatuagens das tribos Mursi e Surma da Etiópia; bem como os pratos ou discos de lábios, que também são utilizados como forma de modificação cerimonial do corpo. 


1UMA SÓ ÁFRICA

A maquiagem tribal é praticada em muitas tribos africanas. A maquiagem, muitas vezes na forma de pintura facial, é usada por muitas razões diferentes e pode significar muitas coisas, tais como a caça, razões religiosas e tradicionais, fins militares ou até para assustar um inimigo e em Pantera Negra, vemos em muitos personagens, incluindo Shuri (Letitia Wright), a gênio, princesa, “zoera” e irmã de T’Challa.
Forest Whitaker interpreta Shaman Zuri, o líder espiritual de Wakanda. Ele usa mantos ornamentais conhecidos como Agbada. Este é um dos nomes do manto de manga larga usado por homens e mulheres em grande parte da África Ocidental e no Norte da África.  



Os zulus são um povo do sul da África que vive em territórios correspondentes à LesotoSuazilândiaZimbábue, África do Sul e Moçambique. O Chapéu Zulu ou “Isicholos” são tradicionalmente usados por mulheres casadas para celebrações cerimoniais. E a BELÍSSIMA rainha Ramonda (Angela Bassett) usa uma touca distinta que é uma lembrança dos chapéus zulu.


Máscara Igbo. Em uma cena, Erik Killmonger usa uma máscara. As máscaras, conhecidas como Mgbedike, são distinguidas pelo tamanho grande e traços masculinos realçados. Elas são usados nos rituais dos Igbos e são projetadas para contrastar com as dançarinas mulheres, que levam traços mais femininos.



E aí, o que achou de toda essa homenagem em forma de referência ao continente e principalmente ao povo africano?

fonte: https://feededigno.com.br/
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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

17 aprendizados para a vida com Artes Marciais


As artes marciais tem muito mais a oferecer do que apenas os aspectos físicos. Trabalha também os aspectos mentais, a parte espiritual e o nosso modo de ver a vida.

Vamos tratar 17 atributos cruciais que aprendemos enquanto práticamos esse esporte...


1. Entusiasmo: Um artista marcial deve ser entusiasta, a fim de alcançar o sucesso.Se alguém não gostar do que faz, acaba criando um limite para si próprio. Entusiasmo é crucial, a fim de ser eficaz e eficiente. Eles se doam e se esforçam, e eles estão felizes em fazê-lo.
2. Auto-motivação: Auto-motivação é o que impulsiona a ir juntar-se, ir para a aula, etc. Quando alguém é auto-motivado, avança mais rápido, eles estão no estado ideal da mente e pronto para melhorar.
3. Auto-disciplina:Algumas pessoas podem estar se perguntando qual é a diferença. Auto-motivação é como um alerta para se iniciar, e auto-disciplina é o que vai manter você no curso. O exemplo de meu mestre fornece exclama auto-motivação é o veículo pelo qual se vai se esforçar para manter uma prática forte e eficiente. Por outro lado, a auto-disciplina é o combustível para permanecer. É a força de vontade para fazer o que se sabe que precisa ser feito.Um estudante que aparece para a aula e afirma querer-lo e amá-lo em sua vida, mas não pratica ou mostrar persistência, é um exemplo de motivação sem disciplina. Além disso, alguém que se esforça para tê-lo em sua vida, ama-o, mas descontinua, é outro exemplo de motivação com a falta de disciplina.
4. Curiosidade: Curiosidade, espírito, interessante um bom artista marcial faz perguntas porque eles estão pensando. Eles estão pensando sobre o que estão fazendo e também a pensar sobre o que estão pensando. "Por que algumas pessoas têm 10 graus marcados na faixa preta? O que posso fazer para melhorar a precisão? Como é que isso se originou? O que é o objectivo deste movimento? "Eles se esforçam para ir além do que é simplesmente é dito em sala de aula. Eles pretendem estudar por conta própria, pensar sobre isso por conta própria, fazer perguntas. etc.
5. Consciência:Isto é, quando alguém está consciente e consciente dos detalhe, um de desempenho, a mentalidade, emoção e técnica. Eles também devem se esforçar para estar atento e consciente do que está ao seu redor, se é com um adversário ou não. Além disso, reconhecendo nossos esforços e limites é importante. Indo além dos limites de segurança vai ser perigoso. Tudo isso é importante para a melhoria, segurança e saúde.
6. Humildade:Com humildade, pode-se aprender em qualquer lugar, a qualquer hora, de qualquer um. Independentemente da classificação, um bom artista marcial sabe que eles não são qualquer um "acima", e que não se trata de ser "melhor" do que alguém, é sobre auto-aperfeiçoamento. Humildade é mostrado se alguém está ensinando, sendo ensinado, ou não. Eles ainda não têm nenhum problema adiando para legítimo, a autoridade bem-intencionado.
7. Competição:Com a quantidade de contato físico, os movimentos, as possíveis competições, etc., nas artes marciais, competir é uma parte importante. Um bom artista marcial tem como objetivo compreender que nunca realmente 'perde' se aprender alguma coisa com cada encontro. Independentemente disso, não se trata de vencer, é sobre auto-aperfeiçoamento e aprendizagem. Ressentimento, raiva, a necessidade de superação outros, etc., é colocado em um mínimo.
8. atitude cooperativa: cooperativa, e não competitiva.
Não se trata de ir na sala de aula e lutar com os outros, atingir mais do que ser atingido, etc. Isso pode não só obscurecer  seus próprios objetivos e progresso pessoal, mas também irá perturbar sua atitude.
9. Integridade:A integridade é o alinhamento das ações com palavras. Se alguém afirma ser humilde, então eles devem mostrar como em suas ações, e assim por diante. Nossas escolhas, honestidade, vida, etc., deve ser destinada para se alinhar com viver a vida de um artista marcial. Há também um equilíbrio.
10. Tenacidade: Outra palavra para a perseverança e determinação, meu senhor descreve especificamente ", persistente, teimoso, obstinado, não facilmente deixa-se abater ... estes são todos diferentes formas de descrever a qualidade de tenacidade."
11. Metas: Isto dará orientação, como um mapa, a um artista marcial. Prazos curtos e longos. Ao ganhar um do faixa-preta pode ser um objetivo a longo prazo, deve haver metas de curto prazo para alcançá-lo.
Um bom artista marcial se esforça para obter uma base e uma camada de superação e trabalho duro.
12. Bondade:Mestre: "Bondade amplifica todas as outras qualidades e fornece a sinergia,  para formar algo que tudo até então não poderia alcançar por si só ".Com essa autoridade, habilidade e códigos de conduta, representação, etc, bondade é relevante em artes marciais.
13. Fortitude: Quer se trate de um teste, dor, adversidade, ou tentação, dentro ou fora da sala de aula, física ou mentalmente, a pessoa deve se esforça para permanecer corajoso e forte nestes momentos.
14. Resiliência: Haverá aspectos como tal ^ que vai tentar dobrar ou moldar você. É preciso ter a capacidade de se recuperar a partir deles.Meus estados mestre: "Se eu transformar / mudança, é porque eu precisava, e não porque alguém ou algo ameaçou reformular ou quebrar-me."
15. Lealdade:Como integridade, um bom artista marcial se esforça para mostrar como através de palavras, bem como ações. Lealdade para com a escola, instrutor, e outros estudantes compreender o valor que esses aprendizados trazem e saber os benefícios de artes marciais.
16. Apreciação:Mestre ", eu percebo que eu posso comprar tempo de um instrutor, mas eu nunca posso comprar o conhecimento ou a melhoria a qualquer preço."Meu mestre me ensinou a pecuária eu posso mostrar como gratidão por viver o caminho, indo acima e além, etc.
17. Compaixão:artes marciais se preocupa com o bem-estar das pessoas. Ele fornece físico, mental, espiritual e emocional aspectos-, bem como uma forma de defender e beneficiar os outros. Ter compaixão é como o guarda-chuva das artes marciais.

-Kwan Jang Nim Chad Boxx, de junho de 2013


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quarta-feira, 8 de junho de 2016

A verdade por trás da távola do Rei Arthur




A mítica história do Rei Artur é um dos grandes temas da literatura britânica. Mas existe alguma verdade por trás do mito? E por que ele é ainda tão influente após séculos? 
O Rei Artur que conhecemos hoje é uma junção de diferentes lendas, escritas por diferentes autores, em épocas distintas. Todas são unidas pelo tema comum de que o Rei Artur foi um general britânico do século V que lutou contra tribos anglo-saxônicas e garantiu que a Grã-Bretanha permanecesse um paraíso ocidental. A primeira menção ao Rei Artur na história data de 830 e é atribuída a um autor chamado Nennius. Ele escreve: “Naqueles dias, então, Artur lutou junto aos reis britânicos, e ele era o comandante nessas batalhas”. 
Um conto mais elaborado sobre o Rei Artur surgiu no século XI, quando Geoffrey de Monmouth publicou seu livro “The History of the Kings of Britain” (em tradução livre, “A História dos Reis da Grã-Bretanha”). A vida inteira de Arthur é descrita pela primeira vez nessa publicação, desde seu nascimento, em Tintagel, até sua morte, e as figuras de Guinevere e Merlin são introduzidas. Esse livro teve um impacto enorme na época. Até hoje, ainda existem aproximadamente 200 manuscritos. 


Com o casamento de Henrique II de Inglaterra com Leonor da Aquitânia, as histórias de Artur começaram a florescer nas cortes francesas, e a lenda tomou ares românticos e espirituais. Foi nesse contexto que o misterioso Cálice Sagrado aparece pela primeira vez pelas mãos do escritor da corte francesa Chrétien de Troyes. Em seu poema “Perceval ou le Conte du Graal” (1181-90), ele fala: 
“Uma garota chegou, bela, formosa e lindamente enfeitada, e entre suas mãos ela segurava um cálice. E quando ela trouxe o cálice, o local foi inundado por uma luz tão brilhante que as velas perderam seu brilho, assim como a lua ou as estrelas quando o sol nasce”. 
Os contos do Rei Artur se tornaram tão incorporados às mentes dos britânicos que quando Henrique VIII chegou ao trono, em 1509, ele mandou repintar a Távola Redonda de Winchester, de Eduardo III, com seu semblante retratado no topo, como um novo Artur, um imperador cristão e chefe do Império Britânico. 

Outro exemplo da influência de Artur data de 1834, quando as Casas do Parlamento foram reconstruídas após um incêndio desastroso. Imagens do Rei Artur, do livro de Thomas Malory “The Death of Arthur” (1846), ou “A Morte de Artur”, na tradução, foram selecionadas para a decoração da antessala cerimonial da rainha na Câmara dos Lordes.
Até hoje, o mito não perdeu seu apelo e é ainda tema de muitos livros e filmes. Porém, apesar da presença forte de Artur no folclore Celta, são poucas as evidências sobre a sua real existência. Na história, não há menção a nenhum Artur. A única fonte contemporânea, “The Ruin and Conquest of Britain” (em tradução livre, “A Ruína e a Conquista da Grã-Bretanha”), livro escrito pelo historiador e monge britânico Gildas, menciona apenas um líder sem nome e Rei dos Britânicos – seria Artur? 

O consenso entre a maioria dos historiadores é que Artur provavelmente existiu, ou como um indivíduo, ou mesmo como uma série de indivíduos. Como muitos dos heróis da Idade Média foram homens reais cujos talentos foram aceitos como verdade pela maioria dos historiadores, há uma grande possibilidade de que Artur tenha sido um guerreiro Celta que deu origem ao resto das estruturas mitológicas. 
Por que, mesmo sem evidências concretas, Artur figura tão fortemente na mitologia britânica? Uma explicação seria que Artur representa a história britânica em sua totalidade, sendo seus contos um modo de explicar como nasceu a Grã-Bretanha, especialmente com relação aos Saxões e Celtas. Certamente, a história se tornou popular durante tempos de inquietação social devido à sua inquestionável estabilidade moral. E os últimos séculos só serviram para provar que a história do Rei Artur está longe de perder seu magnetismo.
FONTE – http://seuhistory.com/microsite/o-ultimo-reino/noticias/tavola-do-rei-artur-e-revelada
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sexta-feira, 8 de abril de 2016

A imensúravel capacidade de algumas pessoas de serem idiotas

 Tipos de Idiotas:

  • Sabichões
  • Fofoqueiros
  • Trogloditas e Valentões e seus carros tunados
  • Passivos
  • Ricaços e pobres convictos
  • Exagerados

 Focarei a principio nestes perfis de idiotas e talvez mais para frente façamos outra lista. Antes de começarmos é interessante ter um estudo de causa...

...


 http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI336365-17773,00-ESTUPIDEZ+POR+QUE+AS+PESSOAS+FAZEM+COISAS+IDIOTAS.html


Bom se você leu o texto da revista Galileu você já sabe que o estudo é longo e antigo. Tentarei fazer o seguinte...esclarecer porque esses perfis merecem estar na lista e fornecer soluções que contribuam em favor da sociedade.



SABICHÕES

Esses idiotas tem que saber que eles tem salvação e que diferente de alguns dos outros perfis eles sabem que estão sendo idiotas, mas aparentemente gostam do fato. Afinal, são egocêntricos por natureza, acham que sabem muito de tudo, só que não! Basta uma alma inocente não saber algo sobre alguma coisa para os sabichões entrarem em ação. O problema desses idiotas é não saberem se calar quando não tem algo a se agregar em determinado assunto. Eles definitivamente não sabem controlar suas linguas. Podem até falar coisas legitimas e corretas, mas  como todo bom idiota não sabem tirar o time enquanto está vencendo, eles no fim saem com uma pulga atrás da orelha pensado se não falaram merda e não se surpreendem quando descobrem que falaram, mas continuam como uma rocha em suas mentes egoistas, nunca admitindo que falaram de mais.

Soluções para esses idiotas: falem menos e ouçam mais

FOFOQUEIROS

Esse é um tipo doente de idiota, pois muitas vezes sabe que está praticando a malevolência, porém como todo bom drogado, precisa de seu vício para viver. Os fofoqueiros acabam contaminando outros prováveis novos fofoqueiros e se espalham feito um vírus. Em um cenário caótico ele dissimina a discórdia agindo como um agente do mau. Se alguém comete o erro de dizer que está mal o fofoqueiro trata de piorar a situação espalhando a notícia aos quatro ventos sem pensar que quem o tenha passado tal notícia pode não gostar que todos fiquem sabendo.

Soluções para esses idiotas: Inconclusiva...mas se eles tentarem viver mais suas próprias vidas e buscarem uma real razão para se viver, acabaram por saber que não precisam fococar.

TROGLODITAS E VALENTÕES

 Muito comum hoje em dia, em sua maioria não tiveram os estudos concluidos de maneira eficaz. Sim pois provavelmente tiveram que colar nas provas ou usaram da figura paterna para tirarem proveito dos cansados e mal remunerados professores. São facilmente vistos em rodovias acelerando a mais de 120km/h com um som de estourar os tímpanos e com os braços para o lado de fora do carro como se estivessem deitados sobre o sofá de casa, também costumam ir muito a academia só para ficarem se admirando enquanto se matam no supino. Bom salientar que eles costumam ser como menininhas acuadas se são colocados sobre uma situação estressante, muitas vezes só vivendo de aparência.

Soluções para esses idiotas: Cuidarem menos do corpo e trabalharem mais a mente.

PASSIVOS

Esse é um perfil que muito me irrita, pois é aquele idiota que nunca se manifesta para nada, concorda com quaisquer merdas que o empurrem, parece sempre estar se fazendo de desentendido, e no máximo mexe cabeça para dizer que está vivo. O pior é que este idiota é facilmente persuadido por outros perfis de idiotas. Sendo assim é este idiota que costuma ser a origem de todos os outros idiotas.

Soluções para esses idiotas: procurar ter mais personalidade e amor próprio


RICAÇOS E POBRES CONVICTOS

Bom aqui eu posso citar dois exemplos claros desse perfil, Madames e funkeiros. De um lado a perua que não pode nem abrir a porta do carro para entrar e do outro a barraqueira que não tem geladeira em casa. Prefiro não me estender nesse perfil pois acredito que todos saibam e convivam com pelo menos um desses idiotas.

soluções para esses idiotas: Incomclusiva...questão cultural e social envolvida

EXAGERADOS

Sabe aquela música do cazuza Exagerado? Sim essa mesmo. Acho a música boa e tudo mais, e sim também acho esse perfil que se joga aos seus pés com mil rosas roubadas um verdadeiro idiota. Incluo nesse perfil todas as pessoas que não tem limites para nada. Essa é minha principal queixa para os exagerados, se são gays são ao extremo da baitolice, se vão rir é para que o mundo todo perceba sua risada megalomaniaca, se vão se drogar tem uma overdose, ou seja pra tudo esses idiotas conseguem transpor a fronteira do limite entre o normal e o absurdamente sem noção.

Soluções para esses idiotas: Geralmente se ferram e veem que exageraram na dose, sem que algo precise ser feito a respeito.



 Bom eu espero não estar sendo um idiota de escrever minha opinião sobre os a capacidade sobre-humana das pessoas serem idiotas. Se gostaram da lista possivelmente farei outra e se quiserem incluir um tipo fiquem a vontade. att Seu capitão idiota...XD











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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

ESPECIAL: Como já dizia Raul PARTE 2

Raul dos Santos Seixas nasceu em Salvador, Bahia, em 28 de junho de 1945, filho de Raul Varella Seixas e Maria Eugênia Seixas. 

“Nasci baiano mesmo, na av. 7 de setembro, número 108, que é a avenida principal de Salvador. Hoje estão comendo bacalhau no quarto onde nasci.” brincaria Raul, mais tarde, referindo-se ao Restaurante Português, que funciona hoje, na casa em que nasceu.


"Quando eu era guri, lá na Bahia, música para mim era uma coisa secundária. O que me preocupava mesmo eram os problemas da vida e da morte, o problema do homem, de onde vim, para onde vou (...)"


A vasta biblioteca de seu pai era seu brinquedo favorito. E foi daí que veio o gosto pela palavra e a miopia precoce. Vivia trancado no quarto devorando o “Livro dos Porquês” do “Tesouro da Juventude”. Inventava histórias fantásticas que, transformadas em gibis, e com desenhos do próprio Raul, eram vendidos ao irmão caçula, Plininho (Plínio Santos Seixas, três anos mais novo). Melô era o personagem central de suas histórias, um cientista louco que viajava no tempo com figuras históricas, Deus e o Diabo.

"Eu estava muito preocupado com a filosofia sem o saber (isto é, eu não sabia que era filosofia aquilo que eu pensava). Tinha mania de pensar que eu era maluco e ninguém queria me dizer. Gostava de ficar sozinho. Pensando. Horas e horas. Meu mundo interior é, e sempre foi, muito rico e intenso. Por isso o mundo exterior naquela época não me interessava muito. Eu criava o meu.”
No ano de 1954, Raul ganhou seu primeiro violão, presente dos pais, ao qual, a princípio, ele não deu muita importância. Porém, pouco a pouco, foi dedilhando e, sozinho, aprendeu a tocar algumas músicas, acabando por se apaixonar pela novidade.


Filho da mesma região e geração que Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa entre tantos outros que definiram o movimento chamado Tropicália, Raul teve ao contrário destes em sua infância maior contato e assimilação do Rock and Roll em virtude de ser vizinho e amigo de filhos de famílias americanas que trabalhavam para o consulado americano na Bahia. 

“Eu ouvia os discos de Elvis Presley até estragar os sulcos. O rock era como uma chave que abriria minhas portas que viviam fechadas. Usava camisa vermelha, gola virada para cima. As mães não deixavam as filhinhas chegarem perto de mim porque eu era torto como o James Dean. Olhava de lado, com jeito de durão. Cada vez que eu cumprimentava uma pessoa dava três giros em torno do próprio corpo. Eu era o próprio rock. Eu era Elvis quando andava e penteava o topete. Eu era alvo de risos, gracinhas, claro. Eu tinha assumido uma maneira de vestir, falar e agir que ninguém conhecia. Claro que eu não tinha consciência da mudança social que o rock implicava. Eu achava que os jovens iam dominar o mundo.”
Aluno relapso (repetiu várias vezes a segunda série ginasial) apesar de muito inteligente e leitor voraz, rapidamente se cansa da escola decidindo pela profissionalização como músico. 

"Eu era um fracasso na escola. A escola não me dizia nada do que eu queria saber. Tudo o que aprendia era nos livros, em casa ou na rua. Repeti cinco vezes a segunda série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la."

Aos poucos a escola foi ficando de lado. O bom era ficar na loja Can-tinho da Música, curtindo rock and roll ou marcando ponto no Elvis Rock Club, fã-clube de Elvis Presley, fundado por Raulzito e o amigo Waldir Serrão. Corria o ano de 1962 e a necessidade de fazer rock levou Raul a fundar, ao lado dos irmãos Délcio e Thildo Gama, o grupo Os Relâmpagos do Rock. Chegaram a se apresentar na TV Itapoan, onde foram chamados de cantores de “música de cowboy”.



Tornou-se logo fã ardoroso de Elvis Presley, fundando aos 14 anos um fã-clube brasileiro do cantor (Elvis Rock Club). Engana-se porém quem pensa que Raul renegou a cultura brasileira adotando o rock and roll; odiava a bossa nova mas acrescentou ao seu rock elementos de música nordestina como o baião, xaxado, música brega.
"Sabem porque não gosto de bossa nova?! Porque não consigo tocar aqueles acordes dissonantes..."

Em 1962 em meio ao movimento bossa nova que explodia no Brasil, Raul monta sua primeira banda, Os Relâmpagos do Rock, que mais tarde teria seu nome mudado para The Panthers e finalmente Raulzito e os Panteras. Pela formação do grupo passaram entre outros além de Raul (vocal e guitarra), Thildo Gama, Perinho (guitarra), Mariano Lanat (baixo), Carleba (bateria). 



Em nome do namoro com a americana Edith Wisner, Raul resolve parar tudo e retomar os estudos e, em pouco tempo, prestar o vestibular (para passar num dos primeiros lugares) para a faculdade de Direito. 
“Eu queria provar às pessoas, à minha família, como era fácil isso de estudar, passar em exames. Como não tinha a mínima importância.” 

Tão sem importância que, em 1967, decide ao mesmo tempo casar com Edith e retomar a carreira com Os Panteras.

Gravam um compacto que seria distribuído para rádios com duas músicas (sendo uma versão de Elvis Presley). Apresentam-se em clubes e algumas vezes em rádio e TV. Começam a formar fama como expressão local do movimento Jovem Guarda da época (liderado por Roberto Carlos, Jerry Adriani, Erasmo Carlos, Wanderléa, etc, por sua vez versões brasileiras do sucesso dos Beatles).

Com o apoio de Jerry Adriani sai em turnê pelo Brasil com os Panteras (abrindo os shows do primeiro) e grava em 1968 o seu primeiro LP, auto em titulado  Não alcançando nenhuma repercussão a nível nacional. 

Atendendo a um pedido de Jerry Adriani, Raul, Edith e Os Panteras partiram em viagem para o Rio, realizando um velho sonho. Conseguiram gravar, para a Odeon, o LP Raulzito e Os Panteras. Lançado em 1968, o disco foi ignorado tanto pela crítica quanto pelo público.



“Chegamos em fim de safra. Não entendíamos o que estava acontecendo. Agnaldo Timóteo de um lado, Gil e Os Mutantes de outro. Tocávamos coisas complicadas, minhas letras falavam de agnosticismo, essas coisas, e complicamos demais. Não tínhamos ideia do que era comercial em matéria de música em português.”

Com o fracasso do disco, ficam algum tempo como banda de apoio de Jerry Adriani, até a dissolução do grupo. 

“Só sobrou eu. Os outros não aguentaram a barra e caíram fora”. 

Desiludido e psicologicamente abalado, Raul voltou para Salvador.

Sairia da Bahia novamente para tentar carreira de produtor na CBS onde produziria e comporia para Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, Trio Ternura, Sérgio Sampaio, entre outros astros da época. 
O incentivo de Sérgio Sampaio levou Raul a produzir e lançar, em julho de 1971, aproveitando a viagem do presidente da CBS, o LP Sociedade da Grã-Ordem Kavernista – apresenta – Sessão das 10, com participações do próprio Raul, com Sérgio Sampaio, Miriam Batucada, Edy Star.

Isso lhe valeu a expulsão da CBS quando o presidente voltou. O disco então sumiu, “misteriosamente”, do mercado.

“Neste disco cada um cantava suas músicas em faixas separadas, num trabalho que resumia o caos da época. Valeu a pena, apesar de ter vendido muito pouco. Nós nos divertimos muito. Foi também a primeira vez que eu fiz algo para ser consumido e do qual me senti paranoicamente orgulhoso e feliz. Como os Beatles, que aprenderam no estúdio, eu aprendi tudo na CBS, os macetes todos. Aprendi a fazer música fácil, comercial, intuitiva e bonitinha, que leva direitinho o que a gente quer dizer.”


Em setembro de 1972, no VII Festival Internacional da Canção, à frente de um público ávido por novidades, Raul, mais uma vez incentivado pelo amigo Sérgio Sampaio, resolveu se tornar “popular”. Inscreveu no festival as canções “Eu sou eu, Nicuri é o Diabo”, defendida por Lena Rios e Os Lobos, e “Let me Sing, Let me Sing”, mistura de rock com baião, interpretada pelo próprio Raul, travestido de Elvis. Ambas foram classificadas.

A boa aceitação lhe valeu seu primeiro contrato com uma gravadora, a Philips Phonogram. Lançou um compacto de Let Me Sing Let Me Sing e o LP coletânea de covers 24 Maiores Sucessos da Era do Rock (que nem mesmo traz o nome de Raul, sendo lançado sobre o nome de uma banda Rock Generation). O segundo compacto, Ouro de Tolo, foi o seu primeiro grande sucesso.

Em 1973 saiu o LP Krig-Ha Bandolo! apresentando as primeiras parcerias de Raul com o companheiro de estudos esotéricos Paulo Coelho. partiu para o primeiro álbum solo, KRIG-HA, BANDOLO! O título refere-se ao grito de guerra de Tarzan, que quer dizer: “cuidado, aí vem o inimigo”. É considerado pela crítica como um dos seus melhores trabalhos.

Começaram a formar em parceria o grupo Sociedade Alternativa, anarquista, baseado na doutrina de Aleister Crowley e também destinado a estudos esotéricos. 

Raul Seixas e Paulo Coelho lançam Sociedade Alternativa em agosto, e dedicam-se com afinco aos estudos esotéricos, mergulhando fundo na obra do mago inglês Aleister Crowley. 



Raul anunciava que era hora de mudar o mundo e distribuía nos shows um gibi/manifesto chamado “A Fundação de Krig-ha”, ilustrado por Adalgisa Rios (esposa de Paulo, na época). 

A Sociedade Alternativa, com sede alugada, papel timbrado e relatórios mensais, chegou a anunciar a aquisição de um terreno em Minas Gerais, para a construção da Cidade das Estrelas, uma comunidade onde a lei única era “Fazer o que tu queres, há de ser tudo da lei.” 

A ideia da Sociedade Alternativa não agradou a muitos e Raul foi preso e torturado pelo DOPS, tendo que deixar o país.
Raul, Paulo, Edith e Adalgisa decidiram partir para os Estados Unidos, onde fizeram contato com algumas personalidades. Raul viria a conhecer durante o exílio alguns de seus ídolos, Elvis Presley, John Lennon e Jerry Lee Lewis.

"Quando me encontrei com Lennon nos EUA, conversamos muito sobre figuras históricas do mundo. Num momento da conversa, ele me perguntou: 'E no Brasil? Quem é o tal?' Fiquei nervoso e falei a primeira coisa que me veio na cabeça: 'Café Filho!'. Ele então: 'What?!' e eu 'Nothing, forget about it..."

Enquanto isso aqui no Brasil, a música “Gita” tocava de norte a sul do país. E foi graças a esse sucesso que Raul e Cia. voltaram para o Brasil. 
Foi nessa época que o casamento de Raul com Edith foi chegando ao fim, e ela decidiu voltar para os Estados Unidos, levando consigo a filha do casal.


O sucesso de Gita deu a Raul Seixas o primeiro Disco de Ouro, com mais de 600 mil cópias vendidas. O mesmo não aconteceu com o disco seguinte: Novo Aeon (1975, Philips), que vendeu apenas 60 mil. 
“Foi a maior decepção, mas dei a volta por cima com Há 10 Mil Anos Atrás.”

Raul conheceu, então, outra americana, Glória Vaquer (“Spacey Glow”), irmã de seu guitarrista Gay Vaquer. Casou-se com Glória e, desta união, nasceu, no Rio de Janeiro, a segunda filha de Raul, Scarlet, em junho de 1976. Nesse ano lançou o álbum Há 10 Mil Anos Atrás, com Raul maquiado na capa como um “sábio ancião”. Chegou então ao fim a parceria com Paulo Coelho, embora continuassem amigos (ou inimigos íntimos).

Decidiu sair da Philips para outra gravadora, a recém-fundada WEA. Marcou esse período o rosto sem barba nem bigode (suas “marcas registradas”) e a relação com um novo parceiro (e antigo vizinho dos tempos do Rio), Cláudio Roberto. Juntos realizaram o LP "O Dia em que a Terra Parou", em 1977.





A crítica não gostou. Foi dito que não mantinha o mesmo “nível” dos trabalhos anteriores. Mas os fãs se deliciam com “Maluco Beleza”, “Sapato 36” e a faixa-título. Raul chegou a fazer alguns shows, mas sem muito sucesso, devido às críticas ao LP. Foi então que se separou de Glória, que, a exemplo de Edith, também voltou aos Estados Unidos com a filha Scarlet.

No início da década de 80 Raul Seixas começou a apresentar problemas de saúde em virtude de consumo exagerado de álcool. Não parou porém de lançar discos e projetos, Mata Virgem, Por Quem os Sinos Dobram, Abre-te Sésamo. Passou a sofrer de hepatite crônica em virtude da bebida e estava em um hiato de contratos e shows.

Após a queda de vendagens nos últimos discos e um longo boicote de gravadoras, estourou novamente em 1978 com a música Carimbador Maluco do LP Raul Seixas, parte do especial infantil Plunct Plact Zumm da Rede Globo. 


Seguiram-se os discos Metrô Linha 743, Uah Bap Lu Bap La Bein Bum (com o que seria seu último grande hit, Cowboy Fora da Lei) e A Pedra do Gênesis (que deveria ser apenas parte de um projeto maior chamado Opus 666 que não chegou a ser lançado).

Em 1988 Raul passou a compor, gravar e excursionar com o também baiano Marcelo Nova, vocalista da banda Camisa de Vênus (então em fase de extinção).

O penúltimo casamento de Raul foi-se rompendo. A sua saúde também não andava boa. Mais uma vez ele decidiu voltar para Salvador, como fizera em 1978, para se recuperar-se. Depois de curta permanência em Salvador, voltou para São Paulo com nova companheira, Lena Coutinho.


Em São Paulo, junto com Lena, procurou uma nova gravadora, mas as portas do mundo artístico pareciam estar fechadas novamente para Raul. Enquanto isso, milhares de fãs e amigos permaneceram na expectativa de novidades. 

Em São Paulo, no ano de 1985, o Raul Rock Club (o Fã-Clube Oficial) lança o álbum Let me Sing my Rock and Roll, o primeiro disco produzido e distribuído independentemente por um fã-clube brasileiro, disputado hoje a peso de ouro por fãs e colecionadores.

Durante o ano de 1986, Raul e Lena continuaram à procura de uma gravadora e, finalmente, com a ajuda de amigos assinaram contrato para dois álbuns com a Copacabana. Porém, os problemas com a saúde atrapalharam as sessões de gravação no estúdio e o LP, que todos esperavam para esse ano, acabou sendo lançado só no início de 1987. O disco trazia como título o grito de guerra de rock and roll: Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!


O disco tocou de norte a sul do país e mais uma vez, Raul Seixas era notícia, ocupando lugares de destaque na mídia e, o melhor, sua música estava na boca do povo. Contudo, continuava desaparecido dos palcos e da TV devido à sua saúde precária (em parte culpa do problema do abuso de bebidas alcoólicas)

Em 21 de Agosto de 1989, apenas dois dias após o lançamento de "A Panela do Diabo", Raul Seixas morre de um ataque cardíaco em virtude de problemas causados pela bebida. Curiosamente após a sua morte tem o seu talento mais reconhecido do que nunca, arregimentando a cada dia mais seguidores, sendo lançados postumamente registros inéditos e coletâneas, todos sucessos de vendas.

Em sua carreira foi pioneiro na mistura de todo tipo de influência musical ao rock and roll, passeando e acrescentado com desenvoltura e sem preconceitos ritmos nordestinos (Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor), folk ao estilo Bob Dylan (Ouro de Tolo), música brega (Sessão das 10), umbanda (Mosca na Sopa). 

Em suas letras abordava com igual desenvoltura temas tão díspares quanto sentimentos humanos, críticas ao sistema, esoterismo e agnosticismo. A sua mensagem muitas vezes está implícita em letras que podem ser taxadas de bobas pelos menos perspicazes (vide a letra de Carimbador Maluco) e em outros momentos é pura poesia (como em Canção Para Minha Morte).

Passados tantos anos de sua grande viagem, Raul Seixas continua mais vivo do que nunca. Desde seu falecimento em 21 de agosto de 1989, o número de pessoas interessadas em sua vida e obra vem aumentando consideravelmente. Pessoas de todas as faixas etárias e classes sociais se organizam nos inúmeros fãs-clubes criados para homenageá-lo. Casas culturais, praças, ruas, parques e viadutos recebem seu nome.

Revistas, pôsteres e cerca de 20 livros enfocando sua vida e obra continuam no mercado. Todos os títulos de sua imensa discografia já foram reeditados em CD, e novos títulos são lançados constantemente. Programas de rádio e TV, romarias ao Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador, passeatas, carreatas e inúmeros eventos acontecem anualmente em todo o Brasil nas datas de nascimento e morte, 28 de junho e 21 de agosto, respectivamente.



Um maluco beleza que 24 anos após a sua morte continua arregimentando fãs e seguidores. Raul era, antes de tudo, um sonhador com os pés no chão, um maluco beleza com raciocínio extremado, um homem a frente de seu tempo, às vezes imcompreendido... muitas vezes amado. 
Raul chocava, contradizia, reclamava e fazia rir com tamanho escárnio que a própria ditadura demorou a notá-lo. Era só mais um maluco, pensavam. Mas se tem uma coisa que Raul Seixas não era, era maluco. Maluco só se for no sentido poético. 
O inconformismo de Raul está presente nas sua vasta e rica obra, um marco da música brasileira. Sim, porque Raul não era só um roqueiro, era um músico popular brasileiro que permeou seu rock com os mais variados ritmos brasileiros. Suas letras abordavam com propriedade temas tão diversos quanto paixão, crítica, esoterismo e agnosticismo. A sua música ia desde a música brega passando pelo baião até a canção americana. Raul foi o grande artista -talvez o maior- do artesanato musical brasileiro.




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