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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Envelhencendo bem, muito bem! com Bruna Lombardi






 Se pensa que vou falar de como Bruna Lombardi permanece bela e arrancando suspiros, acertou, mas primeiro falarei da beleza que vem de dentro para fora. Em entrevista fornecida a revista ecológico, Bruna se mostra antenada e atualizada, com a importância de se atentar para a preservação do meio ambiente. A matéria foi feita no ano passado, porém é tão relevante que mereceu seu lugar aqui no baú. Boa leitura!
 
Talentosa. Inteligente. Engajada. Como se não bastasse, uma das mulheres mais lindas do Brasil e totalmente de bem com a vida. Atriz, escritora, roteirista e produtora, a cidadã Bruna Lombardi surpreende também pela veemência com que defende a causa ambiental. Há alguns meses, reapareceu na TV falando sobre economia de água e, em um vídeo postado em sua página no Facebook, mostrou-se sensível à preocupante crise de abastecimento em São Paulo.
Na filmagem caseira e em linguagem simples (confira abaixo), a estrela que eternizou Diadorim, do mestre Guimarães Rosa, “ensina” a tomar banho, com direito a lavar os longos cabelos, gastando o mínimo de água e em exatos cinco minutos. Pronto. Bastou o primeiro clique para o vídeo se tornar viral e registrar nada menos que 10 milhões de visualizações.
Diretamente de Los Angeles (EUA), Bruna concedeu entrevista exclusiva à Revista Ecológico. Otimista e amorosa, ela declarou sua paixão por Minas e sentenciou: “A água é o maior tesouro do milênio. Fico feliz em poder fazer a minha parte. Quero usar meu nome e meu trabalho para continuar envolvida em ações ambientais e ampliar a transformação por um mundo melhor”.
 Confira:
Este é o primeiro vídeo com foco em uma questão ambiental que você cria e compartilha com o público? Como surgiu a ideia?
Como a situação da água em São Paulo hoje é emergencial pensei: “O que eu poderia fazer para ajudar?”. Às vezes, a gente paralisa. A questão é tão séria, que nos achamos impotentes e não conseguimos fazer nada. Mas, se cada um fizer um pouquinho, faremos a diferença. Foi aí que surgiu a ideia de fazer um vídeo caseiro. Queria estimular as pessoas a compreenderem que uma pequena ação, dentro de casa, pode fazer uma enorme diferença. E então nasceu a frase: “De gota em gota, a gente faz a diferença!”
Você é uma formadora de opinião. Tem uma legião de fãs inclusive nas redes sociais. Pretende usar essa sua “audiência” para abordar outros temas ligados à conservação ambiental?
Para mim, água é um tema fundamental, porque é o maior tesouro do milênio. Falo dela no nosso filme “Amor em Sampa”, que vai estrear em breve, e no vídeo postado na minha página no Facebook (www.facebook.com/brunalombardioficial) para conscientizar as pessoas sobre o uso consciente desse recurso natural. Para minha surpresa, o vídeo tornou-se viral e teve mais de 10 milhões de visualizações. Há anos, tenho sido uma ativista em tudo o que acredito e trabalho constantemente para defender e transformar a maneira como lidamos com a natureza e os seus recursos.
Como você tem atuado? Em que acredita?
Precisamos repensar uma mudança de estilo de vida que permita despoluir o nosso ar, desenvolver o uso da energia limpa, fazer uso sustentável das florestas, plantar árvores, proteger os animais, ter alimentos livres de agrotóxicos e muitas outras questões. Educação ambiental tem que estar nas escolas. Fico feliz em poder fazer a minha parte. Quero usar meu nome e meu trabalho para continuar envolvida em ações como essas e ampliar a transformação por um mundo melhor.
Quando se fala em meio ambiente, considerando o Brasil e o mundo, o que mais lhe preocupa ou primeiro lhe vem à mente?
Estamos tratando recursos naturais finitos como se fossem infinitos. Dizimando fauna e flora e acabando com os rios. Essa responsabilidade com o planeta é de todos. As mudanças climáticas, o aumento drástico das temperaturas, as grandes enchentes e as secas terríveis são consequências. Mas ainda dá tempo de reverter essa situação, mudando tanto o comportamento individual quanto a vontade política – que deve se voltar para essa situação emergencial.
Além do banho consciente, você adota outros hábitos sustentáveis em sua rotina?
Há décadas me preocupo com a economia de energia elétrica, a reciclagem de lixo, o consumo de alimentos orgânicos, muito antes de esses temas terem tanto espaço na mídia. A minha casa tem vários recursos de reaproveitamento de água, energia solar e de reciclagem de lixo. Tenho também uma pequena horta, mas a gente trabalha para que haja cada vez mais hortas orgânicas comunitárias…
No seu aniversário, em agosto, você visitou crianças no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Foi uma ação pontual ou você sempre faz isso?
Faço isso há muitos anos. Inclusive, sou madrinha da Amigo H, associação do Hospital Albert Einstein. Abraço várias causas em que posso ajudar as pessoas a serem mais felizes. Assim como cuidar de animais abandonados, procurar abrigos e incentivar a adoção. O que a gente quer é dar mais alegria a todos. Na minha página no Face e em toda a minha comunicação com a mídia, a mensagem é: melhorar a vida das pessoas e do planeta. Luto por um mundo mais verde, pelo fim da violência contra mulheres e por uma sociedade de paz e harmonia. Queremos mais qualidade de vida para o cotidiano das pessoas. Saúde física, emocional e espiritual. Atingimos o equilíbrio quando conseguimos equalizar todos os canais de percepção do corpo.
Em recente entrevista à TV você disse: “Sou uma pessoa sensitiva, que acredita na capacidade de despertar o melhor nos outros”. Como cultivar essa virtude em tempos de tanta correria e carência de gentilezas?
Fazendo um trabalho que seja generoso e alcance as pessoas. Não podemos olhar apenas para o próprio umbigo, precisamos ter uma visão do todo. Pensar no outro e na coletividade é trabalhar por um mundo melhor. Ser gentil beneficia todos. Precisamos estar abertos aos novos conhecimentos, olhar para a vida como uma grande escola. Estamos todos aprendendo o tempo inteiro. É preciso eliminar o egoísmo, distribuir e compartilhar os saberes. Assim, teremos um mundo melhor e mais feliz.
O tema do Prêmio Hugo Werneck 2014, promovido pela Revista Ecológico, foi a preservação do Cerrado e das veredas retratadas por Guimarães Rosa. Nos anos 1980, você eternizou Diadorim, personagem de “Grande Sertão: Veredas”. Como foi o “mergulho” em Minas durante as filmagens? Que lembranças você guarda?
Minas é um dos lugares mais importantes da minha vida. Eu me considero mineira por adoção, tenho muitos amigos queridos aí. Sem dúvida, é um dos lugares mais bonitos do mundo. Foi em Minas que tudo começou quando interpretei Diadorim, uma das personagens mais importantes da literatura brasileira. Esse papel mudou a minha vida. Durante três meses, tive de treinar muito. Fiz aulas de tiro, de faca e aprendi a domar cavalo selvagem, além de atividades físicas pesadas para um forte preparo físico. Nessa viagem, registrei minha transformação e metamorfose para me tornar Diadorim. Esse relato deu origem ao meu livro: “Diário do Grande Sertão”, escrito para não enlouquecer e conseguir me orientar nessa nova identidade.

Você nasceu no Rio de Janeiro e há anos divide seu tempo entre Los Angeles e São Paulo. Que paisagem ou destino considera a cara do Brasil?
O Brasil inteiro é muito especial para mim. É um dos países com o maior potencial turístico do mundo, graças à sua diversidade cultural e belezas naturais. Tenho o maior orgulho de ser brasileira, adoro o meu país. Temos uma diversidade de gente, de comida, de cultura, de paisagem... De norte a sul, temos vários “Brasis”.
Beleza: você é um ícone nacional. Considerando a diversidade brasileira, os padrões ditados pela moda, o culto à magreza... O que é beleza para você?
Vejo beleza em tudo e em todos, respeito a diversidade. Na minha página do Face estimulo o amor e que todos gostem de si como são, com os mais diferentes padrões. Precisamos sempre buscar o equilíbrio espiritual. E isso faz com que a beleza física não seja primordial. Precisamos estar bem de corpo e alma. Claro que devemos cuidar do corpo. É ele que carrega a nossa alma. Saúde é fundamental, mas quando a gente se gosta, consegue ver beleza em tudo. Mais uma vez, o segredo é alcançar o equilíbrio emocional, mental, físico e espiritual.
Que valores considera importantes cultivar no convívio com a família e os amigos?
O amor, acima de tudo. Sempre! Eu sou daquelas que se pergunta o que fiz para merecer tanto amor e sou profundamente agradecida pela família que tenho. A gente divide e mistura o trabalho em tudo o que faz: arte e vida, criação e diversão, compromisso e responsabilidades. Buscamos a excelência em tudo, em fazer um trabalho generoso, que toque as pessoas, mexa com as emoções e faça bem a todos.
É otimista em relação ao futuro da natureza? Acredita que a humanidade corrigirá a sua trajetória, adotando novos hábitos em favor da conservação do planeta?
O Brasil é um país abençoado com todos os recursos naturais. Há uma enorme esperança. Que futuro a gente quer? O problema econômico, social e ambiental não vem da falta de recursos, mas sim das escolhas e da má distribuição. O que virá depende de nossas escolhas agora. O Brasil pode ser o maior exemplo de energia limpa do século XXI e fazer da biotecnologia o seu grande trunfo.
Quer deixar um recado para os nossos leitores?
Quero que entrem nas minhas redes sociais. No Face, no Instagram (lombardibruna), no Twitter (lombardibruna) e no YouTube (Brunalombardi). Lá eu converso com os fãs sobre as coisas em que acredito, troco ideias, mostro meus vídeos e fotos. É uma grande troca amorosa. As pessoas se sentem mais felizes na página.

Quem é ela:
Apaixonada por bichos, a leonina Bruna Lombardi cria, em São Paulo, Amora, Tango e Tom, três vira-latas pegos por ela na rua. Na casa em Trancoso, na Bahia, há outros oito cachorros e quatro gatos. Todos adotados. Sempre que pode ela faz campanhas contra maus-tratos e abandono de animais. É “pisco-vegetariana” e bebe muita água. Álcool, só socialmente. E não fuma. Mas, acima de tudo, procura ser coerente com os seus valores de vida. É casada com o ator e diretor Carlos Alberto Riccelli e tem um filho.

Bruna nas redes sociais:
“Vamos cuidar dos nossos rios. Água não se fabrica.”
“Gente, como estamos vendo nas notícias, o Sistema Cantareira está em alerta. Ele abastece toda a Grande São Paulo e é um dos maiores sistemas de abastecimento de água do mundo. A situação é a mais crítica da história! Essa também é uma luta nossa! Vamos preservar a natureza, cuidar dos nossos rios, economizar a água que usamos em nosso dia a dia. São pequenas ações que fazem a diferença, pequenos atos de economia. Assim, poderemos reverter esse quadro e voltar a ver a Cantareira linda e cheia de vida!”
“A situação em São Paulo está cada vez mais difícil. Já falta água em muitos bairros. Precisamos mais do que nunca nos conscientizar e economizar água. Pense em todas as pequenas coisas que você pode fazer no dia a dia. De gota em gota, a gente faz a diferença!”
“Olhem para o céu com essa lua cheia linda que está nascendo agora! Você não está aqui por acaso. Vamos juntar nossos pensamentos positivos e pedir o melhor do universo para todos.”
“Crie os seus filhos com amor e valores legais. Ensine-os a amar os bichos e a natureza. Assim, você já está contribuindo para um mundo melhor.”
“A natureza é generosa e está repleta de coisas lindas que nos fazem bem. Você já reparou nas árvores do seu bairro?”

fonte:  http://www.revistaecologico.com.br/
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Biofília - Cura que vem da natureza

fonte: oglobo

RIO - Dar flores a quem está preso a uma cama de hospital talvez seja mais do que um gesto simpático. Você pode estar ajudando o adoentado a sair dali mais depressa e a evitar o uso de analgésicos. A natureza faz bem à saúde. Assim apontam diversas pesquisas científicas ligadas ao conceito de biofilia: uma teoria que defende que, ao longo da evolução humana, fomos programados para amar tudo o que é vivo, em vez de objetos, e, por isso, a natureza simplesmente nos faz sentir melhor. Afinal, o ambiente urbano foi adotado pelos seres humanos apenas nos últimos séculos de sua existência.

— Parques, jardins, flores, fitocidas (substâncias produzidas por plantas contra micro-organismos) têm efeitos benéficos em humanos — conta Yoshifumi Miyazaki, codiretor do Centro para Meio Ambiente e Saúde da Universidade de Chiba, no Japão, uma das instituições mais ligadas ao tema no mundo. — O corpo humano foi feito para se adaptar à natureza.
Seu trabalho tem como base a premissa de que passamos 99,99% de nossos cinco milhões de anos de evolução como primatas em meio à natureza. Seríamos essencialmente conectados a ela. Pode parecer esotérico, mas cientistas de diversos países — como Holanda, Reino Unido e Japão — perceberam que, ao entrar em contato com o verde, o corpo logo responde, de forma sutil, com pressão mais baixa e maiores níveis de glóbulos brancos (responsáveis pelas defesas do organismo), entre outros.
O conceito “biofilia” significa, literalmente, “amor pela vida” e foi popularizado quando o biólogo americano Edward Wilson publicou um livro com este título, em 1984. Dez anos depois, Wilson editou, com Stephen Kellert, outro livro, intitulado “A hipótese da biofilia”, que discute a possibilidade de haver base genética para nosso apreço pela natureza. Não há pesquisas amplamente aceitas que comprovem esta teoria, mas não faltam indícios da influência saudável do verde.
Um dos primeiros a demostrar que a natureza faz bem foi Roger Ulrich, em 1984, ao comparar pacientes em quartos com janelas voltadas para árvores com aqueles cujos quartos ofereciam vista para uma parede de tijolos, em um hospital na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Seus resultados demonstraram que pacientes com acesso ao verde saíram mais cedo do hospital, tomaram analgésicos mais fracos ou em menos quantidade, tinham menos comentários críticos sobre a enfermagem e menor número de pequenas complicações pós-cirúrgicas. Depois, outros estudos testaram objetos coloridos, porém inanimados, no lugar de plantas, e verificaram que as plantas ofereciam benefícios ligeiramente maiores.
A partir da pesquisa de Ulrich, citada em numerosos trabalhos, muitos passaram a defender a construção de mais áreas verdes em hospitais e até mesmo o contato com a natureza como uma forma de medicina preventiva. Com o tempo, surgiram análises também em escritórios, escolas e apartamentos, tanto sobre o uso da natureza no interior quanto ao ar livre. Em um estudo de 2000, a pesquisadora Tove Fjeld, da Universidade de Agricultura da Noruega, viu que reclamações sobre dores de garganta, por exemplo, diminuíram 23% depois que um escritório foi decorado com plantas. Já o estudo da pesquisadora Virginia Lohr, da Universidade do Estado de Washington, percebeu que a presença de plantas torna a dor mais suportável.
Para os citadinos com dificuldades de encontrar espaços verdes, portanto, haveria alternativa: basta povoar varandas, mesas e paredes com belas flores e arbustos para sentir a diferença. Vale dizer que boa parte dos cariocas não tem muita desculpa. No ano passado, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente mostrou: o Rio ostenta uma média de 55,83 m² de área remanescente da Mata Atlântica por habitante — número bem superior aos 12 m² mínimos recomendados pela Organização Mundial da Saúde.
Escolher caminhar pelo Campo de Santana em vez de enfrentar a Avenida Presidente Vargas pode render um dia menos estressante. Pesquisas de Miyazaki, da Universidade de Chiba, trazem números interessantes sobre a influência de caminhar em ambientes naturais. Depois do segundo dia de andanças numa floresta local, um determinado tipo de glóbulos brancos, as células de defesa do organismo, teve um aumento de 56% nos indivíduos acompanhados. Uma quantidade 23% maior das células em relação ao estado original foi mantida durante um mês após a caminhada e o retorno à vida urbana. Para os pesquisadores, este foi um sinal claro de como a natureza pode contribuir para a medicina preventiva. Por causa disso, desde 2005, no Japão, há diversos locais onde se pode praticar a “Terapia de floresta” (chamados shinrin-yoku), uma caminhada por áreas verdes com potencial de curar o estresse. O governo japonês já investiu, desde 2004, US$ 4 milhões em pesquisas sobre o tema, visando também estabelecer mais de 100 lugares onde se pode participar da terapia.

Para eliminar dúvidas, os pesquisadores compararam os efeitos de caminhadas em ambientes urbanos e naturais, usando os mesmos indivíduos. Além dos glóbulos brancos, foram analisados a quantidade de cortisol (um indicador de estresse), pressão sanguínea e batimentos cardíacos. Notaram uma diminuição de 16% no cortisol, de 4% para batimentos cardíacos, de 2% para a pressão arterial, entre outros efeitos.
Há também estudos que demonstram os benefícios de se viver perto da natureza. Em uma pesquisa que acompanhou 350 mil pessoas, a pesquisadora Jolanda Maas, do Centro Médico Universitário de Amsterdã, concluiu que, quando 90% da área ao redor da residência é de verde, 10,2% dos moradores não se sentem saudáveis. Já quando 10% da área ao redor é de natureza, 15,5% relatam problemas de saúde. Maas encontrou maior prevalência de 15 entre 24 doenças selecionadas em pessoas que vivem mais longe de áreas verdes. Inclusive mentais: pessoas que vivem próximas da natureza teriam 21% menos chances de desenvolver depressão.
— Os governos poderiam adotar políticas de forma a definir que porcentagem de área verde cada bairro deve ter — opina a holandesa. — As pessoas podem aumentar a área verde em seus próprios jardins. Apenas olhar para a natureza nos ajuda a nos recuperarmos do estresse. Também poderiam tentar visitar estas áreas com mais frequência.


Fuga temporária
Os pesquisadores admitem que os efeitos são sutis, e que, dependendo da personalidade de cada um, podemos ser mais ou menos afetados por esta mágica natural. A dúvida se o nosso gosto pela natureza é cultural ou genético permanece. O biólogo Bjørn Grinde, da divisão de saúde mental do Instituto Norueguês de Saúde Pública, que faz vários trabalhos de recapitulação do tema, listando diversas pesquisas, acredita que os dois coexistem.
As explicações para o efeito da natureza sobre nossa saúde variam desde fatores evolucionários à melhor qualidade do ar, ou ainda um gosto estético por tudo que é verde ou vivo. Grinde listou quatro possíveis causas apontadas por Ulrich em seus trabalhos: estar na natureza normalmente é relacionado a atividades físicas; atividades na natureza muitas vezes estimulam a socialização; e a natureza oferece uma oportunidade de fuga temporárias da rotina e suas exigências. A última é um questionamento: será que há mais vantagens do contato com a natureza que não as questões sociais e físicas a elas associadas?
A verdade é que ninguém sabe ao certo como a mágica acontece. Em uma longa pesquisa, que durou 17 anos e acompanhou 10 mil pessoas, Mathew White, da Universidade de Exeter, no Reino Unido, mostrou que quem vive próximo a áreas verdes tem mais qualidade de vida, menos problemas psicológicos. Mas o pesquisador ainda tem dúvidas em relação aos motivos desses efeitos positivos. É possível que a questão cultural pese mais do que qualquer fator genético.


— Nossas pesquisas sugerem cada vez mais que não é a natureza que é boa, mas sim o ambiente urbano que é ruim — teoriza White. — Sair com amigos ou ver um bom filme também faz bem à saúde.
Basta ver para crer e sentir
Para o bem ou para o mal, não é difícil confundir nossos sentidos. A natureza falsa, ou simulada, também surte efeitos na melhora de nossa saúde. Diversas pesquisas mostram que, entre olhar uma planta de plástico bem feita e um verdadeiro espécime da natureza, não há tanta diferença assim. Ao mesmo tempo, caminhar virtualmente por florestas digitais como num videogame pode trazer grandes benefícios a quem está confinado em um ambiente estéril.
— Se você acreditar que está vendo uma planta de verdade, mesmo que seja de plástico ou uma figura, eu espero o mesmo resultado — opina o biólogo Bjørn Grinde, da divisão de saúde mental do Instituto Norueguês de Saúde Pública, que fez estudos sobre os efeitos de apenas vermos a natureza.
Primeiro cientista a fazer pesquisas relacionadas à biofilia, Roger Ulrich também investigou os benefícios da natureza virtual. Ele percebeu, em 2003, que os níveis de estresse de pessoas que esperavam em uma sala para doar sangue eram mais baixos quando a televisão mostrava imagens de ambientes naturais do que no momento em que figuras de cidades apareciam.
As pesquisas do psicólogo e engenheiro Robert Stone, da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, tentam medir os efeitos do contato com ambientes naturais virtuais em terapias de reabilitação, que contam com tecnologias similares às de videogames. Matthew White, da Universidade de Exeter, no mesmo país, participou de alguns desses estudos e justifica sua importância:
— Há muitas situações em que os pacientes não podem sair andando, e percebemos que sua exposição à natureza os acalma — explica White, ressaltando que, em muitos recintos hospitalares é impossível pôr plantas de verdade ou vistas para jardins por causa das medidas de segurança.
Segundo as pesquisas de Stone, a tecnologia é especialmente interessante para pessoas amputadas, que não podem sair da cama enquanto se recuperam, e para pessoas que acabaram de voltar de situações de conflito, portanto vulneráveis a problemas de saúde mental, como transtorno de estresse pós-traumático. Os efeitos até agora têm sido positivos, mas ainda é necessário aprofundar os estudos, segundo o próprio trabalho relata.


No Japão, o uso de fitocidas (substâncias produzidas por plantas contra micro-organismos) — há mais de 100 tipos deles — também tem tido resultados positivos. Estudos da Universidade de Chiba observaram diminuição da pressão sanguínea em cerca de 4% após a exposição ao odor por cerca de um minuto e meio. A substância é tida como um dos motivos pelos quais a terapia de floresta japonesa funciona tão bem.
Por email, Stone faz questão de ressaltar que, por mais que haja indícios da eficiência da exposição à natureza virtual, a realidade é sempre preferível.
— Não estamos tentando substituir a natureza, a realidade virtual tem muito para evoluir antes que isso aconteça, se é que vai acontecer um dia. Nós estamos tentando trazer a representação da natureza para aqueles que não têm nada no mundo real que chegue sequer perto disso. Se descobrirmos que a nossa natureza virtual alcança efeitos de restauração similares ao que foi descoberto no mundo real, aí ficaremos muito felizes!

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Decore sua casa com Feng shui

Técnica chinesa de harmonização contribui para aumentar o bem-estar de qualquer ambiente residencial


O feng shui é uma antiga prática chinesa que permite harmonizar ambientes por meio da escolha de cores, projetos arquitetônicos, paisagismo, disposição dos móveis e decoração de interiores.
A observação do espaço da casa e o formato da planta refletem o estado da energia vital (qi ou chi) presente nos seres vivos e nos ambientes. A aplicação do feng shui em um imóvel consiste em identificar os fluxos estagnados ou acelerados dessa energia e reequilibrá-los com técnicas para trazer benefícios aos moradores ou ocupantes do espaço.
Normalmente, o feng shui é dividido em escolas de técnicas, algumas tradicionais e outras mais modernas. A mais difundida no Brasil é a Escola do Chapéu Negro, que utiliza o mapa octogonal (baguá) como principal instrumento. Ele é aplicado sobre a planta do imóvel para localizar as áreas que regem a vida de forma geral: família, amigos, prosperidade, relacionamentos, saúde, sabedoria, sucesso, criatividade e trabalho.
Mesmo sem a aplicação do baguá, é possível harmonizar a casa e os móveis com alguns truques simples e práticos:
Entrada: o saguão e o lado externo da porta de entrada devem ser bem iluminados, limpos e decorados com plantas, cores, quadros, fontes ou espelhos para convidar a boa energia qi para o lar.
Corredor: decorar as paredes com fotos e quadros é uma boa ideia. Escolha uma cor suave e clara, providencie boa iluminação e disponha alguns tapetes. Isso ajuda a energia a circular por toda a casa, principalmente no caso de corredores muito extensos.
Cama: a posição ideal é com a cabeceira, que deve ser inteiriça, encostada na parede. Recomenda-se que essa parte do móvel não fique embaixo de janelas, por causar sensação de insegurança, ou encostada na parede que faz divisa com o banheiro, por drenar as boas energias do ambiente. Evite também deixar objetos na parte inferior para não obstruir o fluxo energético.
Fogão: deve estar sempre em bom estado e em perfeito funcionamento, pois representa a prosperidade. Se estiver ao lado da pia, coloque um sino de vento (objeto que emite um som leve com o deslocamento de ar) ou um cristal entre eles para que o elemento “água” não entre em conflito com o elemento “fogo”.
Mesa de jantar: por simbolizar também a prosperidade, deve ser usada com frequência pelos moradores. Decore-a com flores ou frutas quando não estiver sendo empregada para as refeições. Posicionar bem um espelho para refleti-la ajuda a duplicar a energia da abundância.
Sofás: deixe-os posicionados de frente para a porta de entrada do imóvel para tornar o ambiente hospitaleiro e permitir que a energia circule.
Quarto: o lugar onde se passa a maior parte do tempo merece atenção especial. Decore-o com almofadas, roupas de cama, quadros, fotos ou cortinas. Para garantir conforto e bem-estar, evite trazer trabalho, material de estudo ou aparelhos eletrônicos ao ambiente. Colocar flores aos pares no quarto estimula o romance.
Banheiro: é considerado o vilão energético da casa. Por isso, é importante que os ralos possuam dispositivos do tipo “abre e fecha”. As tampas dos vasos sanitários devem estar sempre abaixadas e a porta principal fechada para evitar que a energia vá embora. Incluir plantas naturais que cresçam para cima em vasos de cerâmica com terra ajuda a manter a energia em equilíbrio.
Flores: a energia e a beleza das flores transmite sensação de conforto, delicadeza, tranquilidade e aconchego. Decore a entrada ou o saguão de sua casa com espécies vermelhas para proteção, brancas para paz ou girassóis para prosperidade. 



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