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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Um homem e sua luta pela melhora mundial do sistema de saúde



"Integramos a medicina às artes cênicas, artesanato, agricultura, natureza, educação, recreação e serviço social. Todas essas coisas são muito radicais para esse país, e suspeito, para o seu país também. Nós também enfatizamos a ligação da saúde de um indivíduo e a saúde da sua comunidade e da sociedade.''



fonte: revistagalileu

Para muitas pessoas, o nome Patch Adams evoca a figura do ator Robin Willians vestindo um jaleco branco, usando um nariz de palhaço e fazendo graça para os doentes de um hospital. Foi assim que a figura desse médico e ativista americano de 60 anos foi retratada em "Patch Adams - O amor é contagioso", produção hollywoodiana de 1998 que alcançou sucesso mundial. Mas as idéias defendidas pelo médico na vida real passaram longe das telas. Ele estará no Brasil no mês de junho para uma série de conferências onde vai abordar temas como a defesa da paz, da ecologia e do ensino de amor nas escolas. Confira suas idéias na entrevista a seguir.
Galileu: Hollywood fez um filme sobre sua vida, onde o senhor é retratado como alguém que quer mudar a medicina. O que há de errado com ela?
Patch Adams:
 O que o filme não mostra é que eu sou um ativista político. A medicina é parte de um mundo que precisa mudar. Precisamos deixar de idolatrar a ambição e o poder, e passar a valorizar a compaixão e a generosidade. A cobiça e o poder destruíram a profissão médica em toda parte. No país mais rico do mundo, os EUA, nós negamos cuidados médicos a 50 milhões de pessoas. De alguma forma, a ética dos médicos permitiu que fossem cúmplices disso. Deixamos a indústria farmacêutica cooptar a medicina, ao afetar a pesquisa e influenciar as escolas médicas. Os ricos obtêm os melhores tratamentos e cuidados, enquanto os pobres não recebem cuidado algum ou o pior possível. Mas nem os ricos podem obter um tratamento compassivo, porque isso não é algo que possa ser reembolsável.
Galileu: Quais são as atividades que o senhor desenvolve na organização que criou, o Instituto Gesundheit?
Adams:
 Começamos nosso trabalho há 35 anos. Queríamos olhar para cada um dos problemas envolvendo o acesso à saúde e criar um modelo que mostrasse que esses problemas poderiam ser solucionados. Não temos, necessariamente, a resposta certa. O que estávamos mostrando, por meio do nosso modelo radical, é que é possível solucionar esses problemas usando ação e inteligência.
Galileu: Pode dar um exemplo?
Adams:
 Nós criamos um hospital totalmente grátis; nada é pago. Não trabalhamos com seguro de saúde. As entrevistas iniciais com cada paciente levam até quatro horas. Somos o único hospital que integra todas as artes curativas. A equipe vive no hospital, é a sua casa. Integramos a medicina às artes cênicas, artesanato, agricultura, natureza, educação, recreação e serviço social. Todas essas coisas são muito radicais para esse país, e suspeito, para o seu país também. Nós também enfatizamos a ligação da saúde de um indivíduo e a saúde da sua comunidade e da sociedade.
Galileu: Qual é a sua mensagem?
Adams:
 Eu não tenho a ver com esse filme de Hollywood. Aquilo é uma bobagem pop. Ele enfatiza minha ligação com o humor. Bem, eu tenho uma ligação com o humor. Nós levamos um time de palhaços para o Sri Lanka para ajudar na recuperação após o tsunami. Também levamos palhaços para países em guerra. Essas coisas são verdadeiras. Mas o que queremos é paz, justiça e cuidados para todas as pessoas, em todos os lugares. E Hollywood sabe que esses ideais não vendem entradas, então não colocaram esses elementos nos filmes.
Temos é que fazer do amor a base do nosso sistema de valores. O nosso sistema atual é baseado em cobiça e poder. É isso o que a televisão promove, bem como os governos dos países ricos. É a idéia por trás do Banco Mundial, a OMC (Organização Mundial do Comércio) e o FMI: concentrar imensas somas de dinheiro nas mãos do menor número de pessoas. As três pessoas mais ricas do mundo têm tanto dinheiro quanto os 48 países mais pobres. Diariamente 35 mil crianças morrem de fome, e uma morre por falta de água a cada 8 segundos. Isso acontece porque não há ética nem se ensina o amor. Os homens estão no comando, e não as mulheres. Eles amam poder e dinheiro, e impõem isso ao resto do mundo. No seu país, as pessoas se interessam mais por beleza e por esportes do que pelo cuidado das florestas ou dos povos indígenas.
Galileu: E como ensinar o amor nas escolas?
Adams:
 Só um homem faria essa pergunta. O motivo de darmos nossas crianças para as mulheres educarem é porque nós sabemos que elas entendem de amor. Pessoalmente, eu poria toda a liderança nas mãos das mulheres. O amor é a coisa mais importante do mundo, certo? Mas não há uma escola no mundo, da pré-escola ao segundo grau, que dedique uma única hora de aula ao amor. Mas todas ensinam a cada semana cinco horas de matemática, cinco de história e cinco de línguas. Nada disso é mais importante do que o amor. Imagine como o mundo seria se as crianças recebessem semanalmente cinco horas de aulas de amor por 13 anos! Os homens ainda não perceberam que o amor não é sexo, o amor é uma habilidade.
Galileu: Suas idéias soam um pouco radicais...
Adams:
 Não é irônico que a cobiça seja considerada normal e o amor seja chamado de radical? Mas por que as pessoas no seu país se interessam mais pelo futebol do que pelas crianças assassinadas nas ruas do Rio? E por que é radical fazer tais perguntas? Por que o Brasil se interessa mais por mulheres jovens e bonitas do que pelo fato de que a cada ano 27 mil espécies de plantas e animais se extinguem? Eu venho ao Brasil para falar pela sua natureza e por todas as pessoas feridas. Eu quero ser a voz deles
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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Robin Williams um anjo que passou

 Confesso que precisei de tempo para escrever algo sobre Robin Williams no baú, afinal, ele participou de grande parte da minha vida e era como se eu tivesse perdido alguém da família, um amigo. As lembranças são as melhores possíveis, os ensinamentos dos mais diversos. Seu legado é humano como seu jeito de tocar a vida, ele era uma figuraça, extrovertido, cheio de energia, e sempre disposto a ajudar a todos. Difícil é escolher qual sua cena mais memorável. Filmes como "Patch Adams","Hook","Bom dia Vietnam", "A Sociedade dos poetas mortos", "Jumanji", "Gênio Indomável" etc etc etc, são muitas suas obras e o melhor de fácil assimilação do que é importante na vida. Ele conseguiu fazer de sua arte um bem comum a todos, era visível sua qualidade atuando, o que não era possível era medir a extensão de seu talento. Obrigado Robin, você fez do mundo um lugar melhor...


Nascido em 21 de julho de 1951 em Chicago, Robin McLaurin Williams ganhou, além do Oscar por 'Gênio indomável', dois prêmios Emmy, seis Globos de Ouro, dois prêmios do Screen Actors Guild e cinco Grammys. Passou pelo teatro, televisão e cinema, sempre com o mesmo estilo exuberante, que mesclava o dom para a comédia com o talento dramático. Foi ainda indicado para o Oscar por sua interpretação em 'Sociedade dos poetas mortos' e 'O pescador de ilusões'.

Robin Williams ficou mundialmente conhecido por seu papel em 'Bom dia, Vietnã', de 1987. Mas desde 1980, com 'Popeye', já era um rosto conhecido do púbico, com passagens de sucesso pela televisão, com destaque para o 'Richard Pryor show'  e 'Happy days'. Foi também presença marcante em shows de stand up comedy e na Broadway.


Miramax Films/Divulgação


Robin Williams venceu o Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação em 'Gênio indomável' (1996); ele também conquistou dois prêmios Emmy do Primetime, seis Globos de Ouro, dois troféus do Screen Actors Guild e cinco Grammys (foto: Miramax Films/Divulgação)
Com seu papel de professor brilhante em 'Sociedade dos poetas mortos', de 1989, Robin Williams revelou o talento dramático do ator, o que seria comprovado em outros papéis. Mas seria com comédias como 'Uma babá quase perfeita', que Robin Williams conquistaria admiradores de todas as idades por mais de 30 anos de trabalho. Era um ator que não economizava expressões e sentimentos. Em quase todos os papéis parecia querer tirar do espectador o máximo de emoção, do riso ao choro emocionado.Mesmo em seus trabalhos mais dramáticos sua atuação parecia se aproximar do excesso. No entanto, conseguia grande empatia com o público pela capacidade de dar rosto humano às emoções. O comediante tinha um olhar compassivo, por vezes melancólico, que sublinhava suas atuações. Sua aparente ingenuidade o aproximava ainda mais das crianças. Percebendo o filão, Hollywood sabia escalá-lo tanto para produções francamente comerciais como para comédias mais singelas, sem esquecer dos “filmes para chorar”, como 'Patch Adams'.

Seu único Oscar foi para um papel dramático, o terapeuta de Matt Damon em 'Gênio indomável'. Não foi a única contradição de sua vida. Homem complexo, viveu um psicólogo maduro capaz de dar sentido à vida de seu confuso paciente e sofreu durante toda sua existência, com o vício em álcool e drogas. Fim trágico de um artista que fez tudo para espalhar alegria com sua arte.

Robin teve também seu reconhecido traduzido na bilheteria: os filmes em que atuou renderam o equivalente R$ 11 bilhões ao redor do mundo – sendo R$ 1 bilhão apenas por 'Uma babá quase perfeita'. Os admiradores ainda verão o ator nas telas em novos longas-metragens, já que ele estava no elenco de três filmes em fase pós-produção, entre eles 'Uma noite no museu 3'.






No Brasil, o ator ficou conhecido principalmente pelos filmes 'Sociedade dos poetas mortos' (1989), 'Uma babá quase perfeita' (1993), 'Jumanji' (1995), 'Patch Adams - O amor é contagioso' (1998) e outras obras de comédia e drama (foto: Universal Pictures/Divulgação)
Filmografia Popeye (1980)
O mundo segundo Garp (1982)
Moscou em Nova York (1984)
Bom dia, Vietnã (1987)
As aventuras do Barão Munchausen (1988)
Sociedade dos poetas mortos (1989)
Um conquistador em apuros (1990)
Tempo de despertar (1990)
O pescador de ilusões (1991)
Hook, a volta do Capitão Gancho (1991)
A revolta dos brinquedos (1992)
Uma babá quase perfeita (1993)
Jumanji (1995)
Para Wong Foo, obrigado por tudo! Julie Newmar (1995)
Nove meses (1995)
A gaiola das loucas (1996)
Gênio indomável (1997)
Flubber – Uma invenção desmiolada (1997)
Desconstruindo Harry (1997)
1 dia, 2 pais (1997)
Patch Adams – O amor é contagioso (1998)
Amor além da vida (1998)
O homem bicentenário (1999)
A.I. – Inteligência artificial (2001)
Morra, Smoochy, morra (2002)
Retratos de uma obsessão (2002)
Anjo de vidro (2004)
Reflexos da amizade (2004)
A última memória (2004)
Quem é morto sempre aparece (2005)
Candidato aloprado (2006)
Uma noite no museu (2006)
Férias no trailer (2006)
Licença para casar (2007)
O som do coração (2007)
Uma noite no museu 2 (2009)


Absolutely Anything (2014)
Uma Noite no Museu 3 (2014)
Merry Friggin' Christmas (2014)
O Que Fazer? (2014)
O Mordomo da Casa Branca (2013)
Dr. Eddy - Progress (2012)
Happy Feet 2: O Pinguim (2011)

Cinco momentos

'Bom dia Vietnã' (1987)
Robin Williams é Adrian Cronauer, um DJ que vai para o Sudeste da Ásia para trabalhar na Rádio Saigon, operada pelo governo americano. Para se diferenciar dos tediosos locutores que o precederam, ele abre suas transmissões com um vibrante “Bom dia, Vietnã!”, tocando músicas também provocativas e divulgando observações irônicas e polêmicas. Em pouco tempo, passa a enfrentar a oposição dos militares no comando.

'Sociedade dos poetas mortos' (1990)
Passado em 1959, na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, narra o envolvimento de um ex-aluno (Robin Williams), que se torna o novo professor de literatura, com os internos na instituição. Os métodos do mestre para incentivar os alunos a pensarem por si mesmos, tendo como guia a obra de poetas libertários, criam um choque com a direção do colégio. O conflito se exacerba e leva ao um final dramático.

'Uma babá quase perfeita' (1993)
Conhecido por privilegiar comédias familiares, o papel mais conhecido do ator foi como a divertida sra. Doubtfire. No filme, ele interpreta um ator irresponsável, proibido de ver os filhos, que se disfarça como uma babá idosa para se aproximar das crianças. A composição da personagem, inclusive a maquiagem e figurino impagáveis, se casaram com o estilo excessivo do humor do artista. Um marco na carreira de Robin Williams.

'Gênio indomável' (1997)
O filme de Gus Van Sant aborda a relação de um jovem com seu analista em Boston. O rapaz de 20 anos (Matt Damon) que tem um passado problemático, se revela um gênio em matemática. Ao ser obrigado a fazer terapia, debocha dos analistas e se mostra arrogante com todos até encontrar um psicanalista (Robin Williams) com quem se identifica. O filme é um sensível retrato de pessoas incomuns e de como a relação com o outro pode transformar a compreensão de mundo. 

'Patch Adams – O amor é contagioso' (1998)
Depois de uma tentativa de suicídio e voluntariamente ser internado em um hospital psiquiátrico, Hunter “Patch” Adams descobre o dom de ajudar as pessoas por meio do bom humor. Dois anos depois, ele entra em uma universidade de medicina. Patch passa então a defender, na escola e no trabalho clínico com os pacientes, sobretudo as crianças, o uso da alegria como instrumento de cura, desafiando as convenções e os rígidos padrões da medicina tradicional.
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