Esse
texto é meu agradecimento ao querido George Martin que transcendeu essa
realidade e está agora produzindo arranjos geniais em um plano
superior...
Pra quem não sabe sou um fã fervoroso dos
Beatles. Meu primeiro disco de vinil foi colocado na agulha de um toca
disco para escutar o brilhante Imagine by Lennon, depois disso minha
vida mudou, ganhou um tom de otimismo, o mundo não era tão mais preto e
branco ou será que era? Com o passar dos anos embarquei em uma viagem
sem volta aos anos de glória do quarteto de Liverpool, passeie por Penny
Lane e subi aos telhados de abbey road e no fim entendi o significado
de toda uma história de amor que quero compartilhar com vocês.
A
história começa em Liverpool, Inglaterra de forma dramática. John havia
perdido a mãe atropelada. Paul também era orfão de mãe. Os dois rapazes
tinham algo em comum, uma ligação que se estendia pela dor e pela
saudade. Porém em seus corações batia uma vontade imensurável de gritar o
que estavam sentindo. Quem poderia os ouvir se não um ao outro? E você
pode estar pensando, que historia triste, certo? Pelo contrário isso foi
o começo de algo grandioso. Duas mentes infinitamente criativas se
uniram para fazerem músicas que tocariam a alma de milhões em um mundo
carente de positividade. O universo ainda tratou de introduzir as peças
que estavam faltando de maneira categórica, para a maior banda de todos
os tempos ficar completa. John, Paul, George e Ringo formavam o FAB4,
os Beatles. Em cima do palco, mas por trás das cortinas estavam duas
figuras que não faziam questão de aparecer para as câmeras, Brian
Epstein e George Martin. O empresário visionário e o arquiteto dos
arranjos e das melodias harmoniosas. O quinto e sexto Beatles. Dois
homens que curtiam andar elegantes e exalavam um charme todo britânico.
Naquela época o Rock ainda engatinhava e os garotos de Liverpool queriam
nada mais que remexer os quadris e soar como Elvis Presley. É por isso
que devemos agradecer tanto aos senhores Epstein e a Sir George Martin,
pois o primeiro tratou de investir nos moleques após verem eles tocando
no "The cavern",e o segundo a quem devemos sempre chamar de maestro foi
que "arrumou a casa" e moldou o som aveludado que estamos acostumados a
ouvir no carro ao inserirmos discos como Help!, Hard days night, Please,
Please me e todos os outros. Mas engana-se quem pensa que tudo foi um
mar de rosas. Os jovens músicos tinham um talento excepcional, mas
também tinham um ego enorme, um impeto juvenil de querer tudo ao mesmo
tempo e coube aos "senhores" Brian e George lidar com os hormonios a flor
da pele. Muitas das canções foram produzidas com muitos desentendimentos
por parte do produtor e chefe da Parlophone George Martin e os
"cabeças" Paul e John. No DVD "The long and winding road" Paul McCartney
se refere a George Martin como “the annoying man”…que podemos traduzir
para algo do tipo "um homem desagradável" ou no linguajar popular um
cara chato. Mas hoje analisando o que ele tinha em mãos naquela época
era diamantes brutos, rugindo para serem lapidados. George com certeza
não aliviou a barra dos rapazas, ele sabia do potencial que tinha em
mãos e forçou os quatro a entregarem sempre algo que ele considerava de
ótima qualidade e por muitas vezes chegou a criticar canções que viriam a
fazer sucesso como foi o caso de She Loves You, onde George chegou a se
referir a canção como boba e com um final antiquado. Mas é de se
compreender já que o Maestro tinha uma formação toda erudita e queria
que os rapazes o entendessem também, tanto é que devemos a ele a batuta,
como nas orquestrações de Sgt. Pepper`s.
Tudo
que os Beatles faziam se tornava algo memorável, com rarissimas
exceções se é que se pode considerar algum trabalho dos beatles de fraco
ou ruim. Eles inovaram e foram além de tudo que o mundo entendia como
entretenimento e show business, e dizer que os Beatles conseguiriam
atingir tudo o que eles conseguiram sem George Martin é não entender a
dimensão da importância dessa figura para o século 20 e 21.
Prepare a roupa de gala, pois hoje falaremos de um artista refinado que aparece de séculos em séculos para nos brindar com seu talento, seu estilo clássico, sua forma sempre impecável, um verdadeiro gênio...
Craque Imortal – Zidane
Nascimento: 23 de Junho de 1972, em Marselha, França. Posição: Meia Clubes: Cannes-FRA (1988-1992), Bordeaux-FRA (1992-1996), Juventus-ITA (1996-2001) e Real Madrid-ESP (2001-2006). Principais títulos por clubes: 1 Copa Intertoto da UEFA pelo Bordeaux.
1 Mundial Interclubes (1996), 1 Supercopa da UEFA (1996), 1 Copa
Intertoto da UEFA (1999), 2 Campeonatos Italianos (1997 e 1998) e 1
Supercopa da Itália (1997) pela Juventus.
1 Mundial Interclubes (2002), 1 Liga dos Campeões da UEFA (2002), 1
Supercopa da UEFA (2002), 1 Campeonato Espanhol (2003) e 2 Supercopas da
Espanha (2001 e 2003) pelo Real Madrid. Principais títulos por seleção: 1 Copas do Mundo (1998) e 1 Eurocopa (2000) pela França. Principais títulos individuais:
Melhor jogador jovem da Ligue 1 (1994)
Jogador do ano da Ligue 1 (1996)
Melhor jogador estrangeiro do ano na Serie A (1997 e 2001)
Melhor meio campista do ano da UEFA (1998)
Jogador do ano pela revista World Soccer (1998)
Bola de Ouro da revista France Football (1998)
Jogador francês do ano (1998 e 2002)
Onze d’Or (1998, 2000 e 2001)
Melhor jogador do mundo da FIFA (1998, 2000 e 2003)
Eleito para a lista dos 100 melhores jogadores do século XX da World Soccer (1999)
Melhor jogador da Eurocopa (2000)
Melhor jogador de clube do ano da UEFA (2002)
FIFA 100 (2004)
Melhor jogador da Europa dos últimos 50 anos (2004)
Bola de Ouro da Copa do Mundo FIFA (2006)
Prêmio Laureus (2011)
Melhor jogador dos últimos 20 anos da Liga dos Campeões da UEFA (2011)
“Virtuose da bola”
O futebol francês, ao longo das décadas, sempre teve ótimos jogadores
que ficaram imortalizados na história do esporte por suas brilhantes
atuações como Kopa, Fontaine, Piantoni, Trésor, Tigana. Na década de 80,
surgiu o então maior jogador do futebol francês, Michel Platini, que
encantou a Europa e o mundo com apresentações exuberantes na Juventus e
na seleção francesa. Porém, ele não conseguiu fazer o grande time da
França na época vencer uma Copa do Mundo. Até que, na década de 90, os
deuses do futebol deram aos franceses um jogador ainda melhor que
Platini, mais cerebral, preciso e formidável: Zinedine Zidane. O craque
conseguiu exatamente o que Platini não foi capaz: vencer uma Copa do
Mundo, em 1998. De quebra, faturou a Eurocopa de 2000 e colocou a França
no topo. O jogador conquistou os franceses e tomou o lugar que era de
Platini como melhor jogador da história da França. Zizou jogou muito na
década de 90 e em parte da de 2000. O jogador escolheu uma decisão de
Copa do Mundo, em 2006, para encerrar a carreira. Mas um gesto
irracional manchou o fim do grande mago francês e pesadelo dos
brasileiros em duas Copas. Mesmo assim, o que Zidane fez nos gramados
dos quatro cantos do mundo é impagável. Hora de relembrar. Brilhante desde cedo
Descendente de argelinos, Zidane cresceu no sul da França e desde
pequeno já chamava a atenção por sua notável habilidade com a bola. O
futuro craque começou no pequenino Victório Mello FC, até ir para o
Septèmes-les-Vallons. Depois de quatro anos, ele já despertava o
interesse de olheiros dos grandes clubes da França. Seu sonho era jogar
em seu time do coração, o Olympique de Marselha, mas os olheiros do
clube não chegaram ao jogador. Com isso, ele estreou como profissional
pelo Cannes. No clube, Zizou jogou de 1988 até 1992, e fez apenas 6 gols
em 67 jogos. Sua estada no time ficou marcada por não render o esperado
quando mais o time precisava dele. O Cannes foi rebaixado da Ligue 1 na
temporada 1991/1992, mas mesmo com um desempenho fraco, o Bordeaux
arriscou e comprou o passe do meia, que mudou de ares em 1992. Surgindo um craque
Contestado no Cannes, Zidane começou a brilhar no Bordeaux. Ao lado
de outros jovens craques franceses como Lizarazu e Dugarry, Zidane logo
conquistou os torcedores e as primeiras convocações para a seleção
francesa. Mas o melhor ainda estava por vir.
O primeiro título
Em 1995, Zidane conquistou seu primeiro título como profissional: a
extinta Copa Intertoto da UEFA, que dava uma chance aos clubes europeus
que não conseguiam uma vaga nas principais competições do continente a
lutar por duas vagas na Copa da UEFA. Isso mesmo, a Intertoto tinha mais
de um campeão. O Bordeaux foi o líder em seu grupo na primeira fase,
com três vitórias e um empate. No mata-mata, vitória nas oitavas de
final por 3 a 0 sobre o Frankfurt (ALE), 2 a 0 no Heerenveen (HOL) nas
quartas e a classificação para a Copa da UEFA e o título da Intertoto
nas semifinais, ao superar o Karlsruhe (ALE) por 2 a 0 e 2 a 2.
Despontando no continente
Com a vaga garantida na Copa da UEFA de 1995/1996, o Bordeaux tratou
de não fazer feio. Muito menos Zidane. Ao lado de seus compatriotas, o
craque conduziu o time francês até a final, em uma campanha maravilhosa.
Nas oitavas de final, um gol de Zizou colocou o Bordeaux nas quartas de
final, mesmo com a derrota por 2 a 1 contra o Betis (o Bordeaux tinha
vencido o primeiro jogo por 2 a 0, com isso, avançou com 3 a 2 no placar
agregado).
Nas quartas de final, o Bordeaux mostrou poder de reação e, após
perder o primeiro jogo fora de casa para o poderoso Milan de Roberto
Baggio, venceu em casa por 3 a 0 com show de Zidane e Dugarry, que
marcou dois gols. Nas semifinais, o time despachou o Slavia Praga (RCH)
com duas vitórias por 1 a 0. Na final, porém, o time de Zidane não foi
páreo para o ótimo Bayern München de Kahn, Matthäus, Papin, Ziege,
Scholl e Klinsmann, que venceu os dois jogos da final por 2 a 0, na
Alemanha, e 3 a 1, na França. A derrota foi um baque para Zidane, mas
era o que ele precisava para entrar de vez na vitrine do futebol europeu
e despertar o interesse de um gigante: a Juventus. Foi para Turim que o
craque migrou naquele mesmo ano de 1996, pouco depois de o time
italiano vencer a sua segunda Liga dos Campeões na história.
A primeira grande era
O torcedor da Juventus ria a toa em 1996. O time acabara de vencer a
Liga dos Campeões, a equipe era brilhantemente comandada pelo futuro
campeão mundial com a Itália, Marcelo Lippi, e tinha craques do naipe de
Ferrara, Pessotto, Vierchwood, Deschamps, Vialli e o jovem Del Piero.
Para melhorar, chegava mais um meia francês que prometia muito, fazendo o
torcedor crer em um novo Platini. Com o tempo, porém, Zidane provou ser
muito mais que “um novo Platini”. O jogador logo de cara mostrou a que
veio na disputa da Supercopa da UEFA, contra o PSG-FRA. Na época, a
competição era disputada em dois jogos. O time italiano humilhou os
franceses ao aplicar 6 a 1 em pleno estádio Parc des Princes, em Paris,
no primeiro jogo. Foi um show magnífico dos alvinegros de Turim. Na
partida de volta, um “magro” 3 a 1 para a Juve deu o título aos
italianos. Era o segundo troféu de Zidane na carreira, que começaria a
ser recheada de conquistas.
Derrotando o ídolo
O segundo título de Zidane com a camisa da Juventus foi o Mundial
Interclubes, na decisão contra o River Plate, no Japão. A Juve venceu
por 1 a 0, gol de Del Piero no finalzinho do jogo, e conquistou seu
bicampeonato mundial. O duelo foi especial para Zizou, que pôde
encontrar seu maior ídolo na carreira: o uruguaio Enzo Francescoli.
Zidane, naquele jogo, conseguiu a camisa do jogador e a tem até hoje
como um amuleto. A adoração do craque francês pelo grande jogador
uruguaio se deu, principalmente, pelo período em que Francescoli jogou
no Olympique de Marselha, time do coração de Zizou. Zidane, anos mais
tarde, batizou seu filho com o nome de Francescoli: Enzo Zidane.
Glórias nacionais, decepções continentais
A Juventus tinha um dos maiores esquadrões da Europa em 1997. O time
mesclava a experiência de ótimos defensores e meio campistas com uma
talentosa e jovem comissão de frente, liderada, claro, por Zidane e Del
Piero. Depois de ganhar quase tudo em 1995/1996, o time de Turim tratou
de fazer bonito em casa. O time, em uma emocionante disputa contra o
ótimo Parma da época, venceu o campeonato italiano de 1996/1997 com
apenas dois pontos de vantagem sobre o rival. O time ainda venceu a
Supercopa da Itália ao bater o Vicenza por 3 a 0. Porém, houve uma
decepção. Na Liga dos Campeões, o time italiano fez uma campanha quase
perfeita, invicta, após cinco vitórias e um empate na fase de grupos e
três vitórias e um empate nas quartas e semifinais, com destaque para as
duas vitórias sobre o forte Ajax, por 2 a 1 e um acapachante 4 a 1. Na
final, o time encarou a surpresa Borussia Dortmund, da Alemanha. E
justamente na decisão o time de Zidane conheceu a derrota: 3 a 1, com o
craque francês sendo anulado de maneira épica pelo escocês Paul Lambert.
Na temporada seguinte, Zidane marcou 7 gols na Série A italiana, que
foram cruciais para o bicampeonato da Juve, cinco pontos à frente da
Internazionale. Na Liga dos Campeões, Zidane começou a mostrar seu lado
matador ao anotar vários gols na fase de grupos e também na de
mata-mata. Dessa vez, a Juve perdeu algumas partidas, mas conseguiu
chegar pela terceira vez consecutiva à final, feito não igualado desde
então. Na decisão, Zidane e sua Juve sucumbiram diante do Real Madrid,
que venceu por 1 a 0 e conquistou sua sétima Liga depois de 32 anos. Mal
sabia Zidane que em breve ele seria parte integrante daquele time que
começava a dar mostras do galáctico elenco que formaria muito em breve.
Hora da verdade
Brilhando pela Juventus, Zidane não despertava grande esperança na
França para a Copa do Mundo de 1998, realizada no país. Com uma
quantidade incrível de talentos como Deschamps, Thuram, Trézéguet,
Henry, Barthez, Blanc, Lebouef, Dugarry e Lizarazu, Zidane e sua França
tinham a maior chance de todas em conquistar, enfim, um título mundial.
Porém, o craque, desde 1996, vinha fazendo partidas bem fracas pela
seleção e ficando mais de um ano sem marcar gols. Os torcedores do país
não aturavam um jogador que fazia partidas magistrais pela Juventus e
apagadas pela seleção. Contrariando a todos, Zizou profetizou: “eu vou
ganhar essa Copa!”. Os franceses adorariam que fosse verdade, mas, na
realidade, não confiavam. E começaram a Copa enfatizando tal
posicionamento quando Zidane, logo no segundo jogo da fase de grupos,
contra a Arábia Saudita, foi expulso ao pisar em um adversário caído. O
cartão vermelho lhe rendeu dois jogos de suspensão. O craque só voltaria
se a França chegasse até as quartas de final. Volta na fogueira
Zidane retornou ao time justamente nas quartas de final, contra a
entao vice-campeã mundial, Itália. O jogo foi duríssimo e muito
disputado, e Zidane se apresentou bem melhor que em outras partidas.
Porém, após empate sem gols, a decisão foi para os pênaltis, e deu
França, que aproveitou os erros de Di Biagio e Albertini. Zizou
converteu sua cobrança e ajudou o time a ir até as semifinais, contra a
surpreendente Croácia de Suker. O time francês venceu de virada com dois
gols de Thuram, com Zidane jogando bem, mas ainda longe do que se
esperava dele. Mesmo assim, o país fazia a festa: pela primeira vez em
sua história, a França decidia uma Copa do Mundo. E em casa. Porém, o
adversário seria nada mais nada menos que o então campeão mundial: o
Brasil, da estrela Ronaldo. Calando os críticos
A final entre França e Brasil na Copa do Mundo de 1998 era uma das
mais esperadas das últimas edições do torneio. De um lado, os
anfitriões, que esperavam o brilho de sua estrela maior, Zidane, e que
torciam pro um título inédito em casa. Do outro, o consagrado Brasil,
que tinha uma estrela em total ascendência, Ronaldo, um time guerreiro,
um goleiro consagrado (Taffarel) e laterais que apoiavam e defendiam com
extrema eficiência: Cafu e Roberto Carlos, este então 2º melhor jogador
do mundo. Mas, o que era para ser uma partida equilibrada e proibida
para cardíacos, foi um jogo de um time só: a França. Devido a uma
convulsão de Ronaldo horas antes do jogo (Edmundo chegou a ser dado como
titular no ataque, causando espanto geral nos brasileiros e na
imprensa) o Brasil entrou em campo visivelmente abatido, e sua principal
estrela irreconhecível. Resultado: França 3×0 Brasil, com o show tão
aguardado de Zidane, que marcou 2 gols, de cabeça, e ajudou a sua
seleção a conquistar pela primeira vez o mundial. Seu desempenho o
coroou como o melhor jogador do mundo daquele ano, além de ser elevado
ao status de ídolo da nação. Petit anotou o outro gol, já nos
acréscimos, e selou a vitória por goleada.
Nem o mais otimista torcedor francês esperava uma vitória como essa
de sua seleção. Deixando as polêmicas de lado, a França consagrou-se
como o melhor time do planeta, e terminou a competição invicta, com
6 vitórias e 1 empate. Enfim, os bleus podiam estampar uma estrela
dourada em seu peito. E Zidane calava, com uma atuação de gala, a boca
de todos os que o criticaram antes e durante a Copa. Nos momentos
decisivos, o craque mostrava que decidia. Mesmo.
Melhor do mundo
As atuações de Zidane pela Juventus em 1998, bem como o show dado na
final da Copa, renderam a ele o título de melhor jogador do mundo pela
FIFA e pela revista France Football. Era a coroação pelas brilhantes
jogadas, passes e gols que o craque vinha realizando desde o começo de
sua carreira.
Nova conquista com a França
Zidane foi novamente decisivo no histórico título da Eurocopa de 2000
da França. O craque marcou gols nas vitórias contra a Espanha, nas
quartas de final, e o gol de ouro contra Portugal, nas semifinais. Na
decisão, a França perdia para a Itália até o final do jogo quando
Wiltord empatou o jogo. Na prorrogação, a França chegou ao título com um
gol de ouro de Trézéguet, se tornando a primeira seleção desde a
Alemanha, em 1974, a vencer a Copa do Mundo e a Eurocopa em sequência.
Zizou foi eleito o melhor jogador do torneio e venceu, também em 2000,
seu segundo prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA. Ninguém podia
com o craque francês.
Nova era de ouro na Espanha
Ídolo na Juve, Zizou entrou em um período de seca de títulos,
vencendo, de 1999 até 2001 apenas uma Copa Intertoto da UEFA. Era a
deixa para que, no final de 2001, ele se transferisse para o galático
Real Madrid. A transação foi a maior da história do futebol na época,
sendo superada apenas em 2009, quando Cristiano Ronaldo foi comprado
pelo mesmo Real Madrid. Zidane chegou prontamente com status de ídolo e
sabia que na Espanha viveria seus últimos momentos no futebol, por isso,
deveria desempenhar um bom papel. Em 2001, ele venceu a Supercopa da
Espanha, quando o Real Madrid bateu o Real Zaragoza por 3 a 0, com três
gols de Raúl. No time de Madrid, Zidane começaria a brilhar de maneira
mais constante em 2002, ano do centenário do time, que seria muito
especial.
Epopeia e o primeiro título europeu
Com um timaço e craques como Raúl, Casillas, Hierro, Helguera,
Roberto Carlos, Makélélé, Figo e, claro, Zidane, o Real Madrid queria
vencer tudo o que disputasse em 2002, ano em que completava 100 anos. E a
temporada começou mágica com o título da Liga dos Campeões da UEFA. No
caminho até a final, Zidane foi decisivo e ajudou demais o time
merengue. O ponto alto foram as semifinais, contra o arquirrival
Barcelona, em que Zizou marcou um dos gols na vitória por 2 a 0 do Real
em pleno Camp Nou, no primeiro jogo, dando tranquilidade para a partida
de volta, no Santiago Bernabéu, que terminou empatada em 1 a 1.
Na final, contra os alemães do Bayer Leverkussen, da grande revelação
Ballack, Zidane mostrou porque era um dos maiores craques do planeta. O
jogo estava em um ritmo alucinante na primeira etapa e empatado em 1 a
1. Até que Roberto Carlos avançou pela esquerda, cruzou para a área e
Zidane, num dos lances mais mágicos, geniais e maravilhosos da história
do futebol mundial, deu um voleio de perna esquerda de primeira que
estufou as redes do goleiro Hans Butt: Real Madrid 2×1 Bayer. Golaço! O
tento é considerado por muitos como o mais bonito da história da Liga
dos Campeões, e é figurinha fácil em qualquer seleção de gols mais
bonitos da história do futebol (veja o golaço lá embaixo, na seção
“Extras”).
Zidane dava ao Real a glória máxima do futebol europeu justamente no
ano do centenário. Era bom demais para ser verdade! O que poderia ser
melhor que aquilo? Uma Copa do Mundo.
Decepção total
Zidane e sua França eram os maiores favoritos ao título da Copa do
Mundo. Campeões de tudo nos últimos 4 anos, os franceses pareciam não
ter adversários. Porém, tudo deu errado na Copa do Japão e da Coreia.
Poucos dias antes da estreia da equipe, em um amistoso contra a Coreia
do Sul, Zidane sentiu um estiramento na coxa e ficou de fora das duas
primeiras partidas da França no mundial. Sem o maior astro do país, a
França perdeu para Senegal por 1 a 0 e empatou sem gols com o Uruguai.
Na terceira e última partida da fase de grupos, a França teria que
vencer a Dinamarca por dois gols de diferença se quisesse avançar as
oitavas de final. Zizou jogou no sacrifício, e nada pôde fazer para
ajudar os bleus: derrota por 2 a 0, eliminação e o “título” de seleção
detentora do título mundial com a pior campanha na história das Copas,
sem ao menos marcar um gol. A derrota foi um baque para o craque, que
não sabia se teria condições de disputar uma nova Copa do Mundo, em
2006.
Soberania merengue
Depois da decepção na Copa, Zidane levantou a cabeça e seguiu fazendo
história no Real. O craque ajudou o time a vencer o único caneco que
faltava na gorda galeria do time: a Supercopa da UEFA, quando o Real
venceu o Feyenoord, da Holanda, por 3 a 1. Se o time seguia absoluto no
continente, em casa o Real não foi bem, e perdeu o título espanhol e da
Copa do Rei. Mas ainda faltava o Mundial, no final do ano, no Japão.
Mundo merengue
Zidane já tinha ao seu lado o brasileiro Ronaldo e o argentino
Cambiasso como reforços quando o Real Madrid foi disputar o Mundial
Interclubes, no Japão, contra o Olimpia (PAR). Os paraguaios sentiram a
pressão de enfrentar os galácticos e não foram páreos para o esquadrão
brancaleone, que venceu por 2 a 0. O jogo foi especial por um motivo:
ambas as equipes comemoravam 100 anos exatamente em 2002. Pena que
apenas uma teve o sabor de ser campeã mundial… Melhor para Zidane, que
vencia seu segundo título intercontinental na carreira.
O título que faltava
Zidane e o Real venceram, em 2003, o caneco que escapou em 2002: o
Campeonato Espanhol. O time fez uma ótima temporada com 22 vitórias e
apenas 4 derrotas em 38 jogos. Zidane brilhou como um dos grandes
garçons do torneio, ajudando nos gols marcados por Ronaldo e Raúl. Ao
lado de Figo e o inglês Beckham, o Real tinha nos galácticos a esperança
de vencer tudo novamente, mas o outro torneio que veio no ano foi
apenas a Supercopa da Espanha. Na Liga dos Campeões, o time foi
eliminado pelo ex-clube de Zidane, a Juventus, que chegaria à final e a
perderia para o Milan.
Em 2003, Zidane igualou o recorde de seu companheiro de equipe,
Ronaldo, e faturou seu terceiro título de melhor jogador do mundo da
FIFA. Ali, porém, seria seu último grande momento, até 2006.
Vacas magras e a aposentadoria
O Real, mesmo com grandes nomes, começou a entrar em um período de
vacas magras em 2004. O time via o rival Barcelona ressurgir com novas
promessas e o auge de Ronaldinho, Deco, Eto´o e Cia. Zidane seguiu
fazendo boas temporadas, mas em 2005 e 2006, já não apresentava o brilho
que encantou o mundo nos anos anteriores. Em 2006, ele decidiu que
encerraria a carreira após a Copa do Mundo. Antes do mundial, em maio,
Zizou se despediu do Real Madrid em um amistoso contra o Villarreal, que
terminou empatado em 3 a 3.
O time do Real jogou com uma camisa comemorativa com os dizeres
“ZIDANE – 2001-2006” logo abaixo do escudo do Real, em alusão ao período
glorioso do craque em Madrid. Era hora do adeus, também, pela seleção.
“A Copa de Zizou”
Depois de ver sua seleção ser eliminada pela zebra grega na Eurocopa
de 2004, Zidane se aposentou do time tempo depois. Porém, com a França
passando apuros nas eliminatórias, ele, Thuram e Makélélé voltaram ao
time e foram cruciais na classificação da equipe ao mundial. Mesmo com a
grande ajuda, o craque era uma incógnita na disputa do mundial pelo
fato de não ter apresentado um bom futebol nas duas últimas temporadas.
Mesmo assim, foi o capitão e camisa 10 do time francês. Naquele ano, o
Brasil era o grande favorito, com o chamado “quadrado mágico” formado
por Ronaldinho, Ronaldo, Adriano e Kaká.
Na primeira fase, a França penou para se classificar. Após empatar em
0 a 0 com a Suíça e em 1 a 1 com a Coreia do Sul, e ainda perder Zidane
para o jogo decisivo contra Togo, que acabou vencido pelos franceses
por 2 a 0, a equipe mostrava que não era mais uma das favoritas. Zidane
levou dois cartões amarelos nos primeiros jogos e os franceses temiam em
perder o jogador para o restante da competição. Porém, ele e a França
mudariam drásticamente a partir das oitavas de final.
Adversários, tremei. Zizou voltou.
A França pareceu ter levado um choque de ânimo a partir do jogo
contra a Espanha, nas oitavas de final da Copa. O time jogou tudo o que
não havia jogado na primeira fase e bateu forte nos espanhóis: 3 a 1,
com direito a um golaço de Zidane. A equipe estava nas quartas de final.
O adversário seria o freguês de carteirinha, mas favorito ao título,
Brasil.
Show
Zidane jogou demais contra o Brasil. Foi dele o passe para o único
gol do jogo, de Henry, e foram dele as maiores jogadas da partida,
inclusive um chapéu sem dó no amigo Ronaldo, em pleno meio de campo. A
classe, a visão de jogo e o futebol de Zidane estavam definitivamente de
volta. O Brasil estava eliminado. E a França mais do que nunca no
caminho do bicampeonato.
Craque decide de novo
Zidane e a França tiveram um adversário duro pela frente, a seleção
de Portugal, comandada pelo brasileiro Luis Felipe Scolari. Porém, os
“bleus” venceram por 1 a 0, gol do craque, Zidane, de pênalti. Com uma
nova apresentação mágica, antes mesmo da final, Zidane foi eleito o
melhor jogador da Copa. Faltava a coroação, na final, contra a
igualmente ótima seleção da Itália.
Do céu…
Itália e França fizeram uma final incrível na Alemanha. Era o
encontro de dois titãs do futebol mundial. A Itália lutava pelo tetra e
por um título que não conquistava há 24 anos. A França buscava o
bicampeonato, a coroação definitiva de Zidane e o título de melhor
seleção do século XXI. O jogo começou melhor para a França, com Zidane
marcando um golaço de pênalti (isso mesmo, golaço de pênalti, com um
leve toque por baixo da bola) e abrindo o placar. Ele se igualava a
Pelé, Vavá e Paul Breitner como um dos poucos a marcar em duas finais de
Copa do Mundo. Pouco tempo depois, a Itália empatou com Materazzi, que
seria, ao lado de Zizou, um dos protagonistas da final.
O jogo foi para a prorrogação e Zidane seguiu jogando muito. O ponto
alto foi uma cabeçada mortal que obrigou Buffon a fazer uma defesa
sensacional. Mas outra cabeçada entraria para a história e encerraria de
maneira melancólica a carreira do maior jogador francês da história.
…ao inferno
Depois de ser provocado por Materazzi após um lance comum na zaga da
Itália, Zidane deu uma cabeçada no peito do jogador italiano, fora do
olhar do árbitro argentino Horácio Elizondo. Porém, o quarto árbitro
avisou o argentino, que expulsou o jogador francês.
De maneira chocante, era o fim da carreira do maior jogador que a
França já teve. Um triste fim. O jogo foi para os pênaltis, e a França,
sem o seu maestro, perdeu para a Itália por 5 a 3.
Mito do futebol
Mesmo com o triste fim de sua carreira, Zidane é adorado, até hoje,
por todos os amantes do futebol (até mesmo alguns brasileiros!). O que o
craque de Marselha jogou ao longo de mais de uma década é impagável e
está marcado para sempre na história. Zidane foi o maior jogador que a
França teve, superou os feitos de Platini, foi referência para milhares
de jovens jogadores pelo mundo todo e ídolo de franceses, italianos e
espanhóis. Engajado com projetos sociais, Zidane segue até hoje no Real
Madrid e acompanha os passos de seu filho, Enzo, no mesmo clube
merengue. Se o garoto será como o pai ainda é cedo para saber. Mas só de
levar o sobrenome Zidane já nos leva a imaginar atuações mágicas.
Sublime para o futebol. E terrível para os brasileiros! Zidane foi, é, e
sempre será um dos maiores deuses do futebol. Um craque imortal. Números:
Realizou 108 jogos pela seleção da França e marcou 31 gols.
Realizou 681 jogos na carreira e marcou 128 gols.
Extras: Zizou 2×0 Brasil
Zidane marcou dois, a França venceu por 3 a 0 e o título mundial ficou em Paris.
Pintura épica
Veja o golaço de Zidane na final da Liga dos Campeões da UEFA de 2002. Simplesmente sensacional.
E o Brasil virou freguês
Zidane e Cia. Acabaram com o Brasil nas quartas de final da Copa de 2006. Veja os detalhes.
De tudo um pouco
A final da Copa de 2006 teve de tudo. Zidane foi bestial e uma besta. Relembre.
Grandes lances do gênio
Veja grandes lances do craque.