A Netflix em conjunto com a Grace: A Storytelling Company e a Beyond International
anunciam hoje o lançamento da série original de animação inspirada no
ilustre catálogo de músicas da Motown. O projeto, ainda sem título,
apresenta um universo fantástico criado por Josh Wakely, diretor e produtor, com curadoria da lenda da Motown, Smokey Robinson,
que assina também a produção musical executiva, escolhendo os
interpretes e as músicas de cada episódio. Os episódios da série serão
baseados em versões de clássicos criadas por artistas contemporâneos,
incluindo hits de estrelas como o próprio Robinson, Marvin Gaye, The Jackson 5, Lionel Richie, The Supremes, The Temptations, Stevie Wonder entre outros. A animação estreará globalmente pela Netflix.
Robinson, que é um dos compositores, produtores e músicos mais
bem-sucedidos e aclamados de sua geração e que tem desempenhado um papel
fundamental no impacto cultural da Motown desde os primórdios da
gravadora, explica: “Estou muito feliz por fazer parte desta nova
série maravilhosa que vai abraçar a magia da Motown e apresentar nossas
músicas para toda uma nova geração de fãs e suas famílias. Estou muito
impressionado com a visão criativa de Josh e mal posso esperar para
espalhá-la pelo mundo“.
Em um universo repleto de melodias incríveis, o projeto gira em torno
das aventuras impressionantes de um amável e tímido menino de oito
anos, chamado Ben, que possui uma habilidade artística extraordinária de
trazer a arte de rua para a vida. Ben e sua família vivem na cidade
imaginária de Motown, inspirada em Detroit e sua rica herança musical.
Embalados pelas clássicas canções, Ben e seus amigos Angie e Mickey
descobrem a magia da criatividade enquanto trazem brilho de volta à sua
cidade e aprendem lições de vida.
“Josh e sua equipe fizeram um trabalho incrível intercalando canções
icônicas com narrativas convincentes, permitindo que as crianças
aprendam e que as famílias possam desfrutar da série juntos”, disse Andy
Yeatman, diretor de conteúdo original infantil na Netflix. “Nós
procuramos contadores de histórias que assumam a responsabilidade de
criar conteúdo para que a próxima geração de crianças se apaixone, e
este projeto contempla perfeitamente esse objetivo”.
Além da sua célebre história, o selo Motown acumulou dezenas de
números 1 nas paradas de sucesso, incluindo ABC, My Girl, Please Mr.
Postman, You Can’t Hurry Love, Reach Out I’ll Be There, e I Heard it
Through the Grapevine. Wakely garantiu os direitos de milhares de
composições tiradas da lendária Jobete Music Company Inc. e da Stone
Diamond Music Corporation em um acordo com músicas da EMI (Austrália)
Pty Limited. A trilha sonora da primeira temporada será lançada pela
Melodia / Motown Records junto com a estreia da série, que ainda será
anunciada.
“Eu cresci ouvindo as músicas da Motown, e estou muito grato por essa
oportunidade em fazer personagens e histórias inspirados nessas
canções”, disse o idealizador e diretor Josh Wakely. “Usando o talento
que temos a bordo atrelado à plataforma global Netflix, nosso objetivo é
criar algo extraordinário que tenha apelo para várias gerações.”
Juntamente com Beat Bugs, série que traz faixas inspiradas pelos
Beatles, e conta com covers de Eddie Vedder, P!nk, Sia, Rod Stewart,
Jennifer Hudson, James Corden, esse projeto Motown é a segunda série
musical da Netflix produzida por Wakely e a Beyond. Beat Bugs estará
disponível para streaming na Netflix em todo o mundo em 3 de agosto, no
mesmo dia em que a trilha sonora da primeira temporada será lançada pela
Melodia/ Republic Records com exclusividade pela Apple Music.
Resgatando um ótimo texto sobre uma das maiores bandas de todos os tempos, créditos para progshine
Em 1968, uma banda com uma formação um tanto inusitada para a época,
pois trazia um flautista como frontman, lançou seu primeiro álbum. Hoje,
há 48 anos, o Jethro Tull é um clássico, tendo influenciado incontáveis músicos pelo mundo, e ganhou a admiração e respeito de milhares de fãs.
Neste artigo falarei um pouco sobre essa banda e sua trajetória, é minha
maneira de fazer uma homenagem a esses músicos (de todas as formações) e
a essa banda única, em seu quadragésimo aniversário.
A história da banda começa antes de seu início, por assim dizer, já
que vários dos músicos que vieram a fazer parte das suas diversas
formações nos anos 70 já se conheciam e tocaram juntos em meados dos
anos 60. Eram eles o próprio flautista Ian Anderson, o tecladista John
Evan, o baterista Barriemore Barlow, e o baixista Jeffrey
Hammond-Hammond. Eles tocaram juntos na banda The Blades e mais tarde na
The John Evan Band. Quando essa última mudou de nome, e se trasformou
em John Evan’s Smash, o baixista Glenn Cornick assumiu o lugar de
Jeffrey.
Mas no início o Tull contava apenas com Ian Anderson como flautista e
vocalista e com o baixista Glenn Cornick, aos quais se juntaram o
baterista Clive Bunker e o guitarrista Mick Abrahams.
Com essa formação lançaram, em 68, o primeiro álbum da banda, chamado This Was (1968).
Álbum esse que tende bastante para o blues, por influência
principalmente do guitarrista Mick Abrahams. Mas o disco também tem
algumas pitadas de jazz em sua composição, fato evidenciado pela faixa
Serenade to a Cuckoo, que é uma música do jazzista Roland Kirk. Kirk foi
um grande saxofonista de jazz (conhecido por tocar três tipos
diferentes de saxofone ao mesmo tempo), mas ele também era flautista, e
um dos primeiros a tocar a flauta e usar a voz ao mesmo tempo, técnica
muita usada por Ian.
Essa formação não durou muito tempo. As diferenças musicais falaram mais
alto e Mick deixou a banda. Durante pouco tempo Tony Iommi, guitarrista
do Black Sabbath, tocou com o Tull, fazendo apenas uma apresentação no
The Rolling Stones Rock and Roll Circus, tocando a música Song for
Jeffrey. O próximo guitarrista se transformaria num dos pilares do Jethro Tull, segundo integrante mais longevo da história da banda, Martin Barre.
Com essa nova formação foi lançado o álbum Stand Up (1969).
Ainda que com influências do blues da fase anterior, o segundo álbum do
Tull, com a saída de Mick, deixava Ian mais livre para tocar à sua
maneira, e a entrada de Barre trouxe mais peso ao som. Assim foi
produzido um dos álbuns com, talvez, o maior índice de clássicos por
faixa da história da banda. Entre elas está a famosa adaptação
jazzística do quinto movimento da Lute Suite in Em minor de J. S. Bach,
chamada Bourée, e a faixa We Used To Know, onde Barre mostra a que veio,
com um solo fantástico de guitarra.
Em 1970, John Evan, velho amigo de Ian se junta à banda, e participa, como tecladista, da gravação do Álbum Benefit (1970). Essa foi uma época maravilhosa, ouvir o Tull tocando ao vivo em 1970
é ouvir uma banda jovem fazendo um som forte e conciso, e Ian Anderson
tocando flauta de uma maneira única, músicas como With You There to Help
Me, Nothing is Easy e My God (que seria lançada no próximo disco) são
executadas com muita energia e um som bastante pesado, sem contar a
ousadia de Ian na flauta, como pode ser percebido no solo da supracitada
My God.
Isso tudo pode ser ouvido em dois discos ao vivo dessa época, o primeiro
foi lançado em 1993, na caixa comemorativa do aniversário de 25 anos da
banda, e foi gravado no Carnegie Hall, em Nova York. O outro foi
lançado em 2004, e se chama Nothing Is Easy: Live At Isle Of Wight (2004). Foi gravado, como o nome já diz, no famoso festival da Ilha de Wight, onde também tocaram The Who, The Doors, Jimi Hendrix, ELP
e Miles Davis, entre muitos outros. Esse show também foi filmado e
lançado em DVD junto com o CD, e é uma apresentação magnífica.
Em 1971 foi a vez de Glenn Cornick deixar a banda, e em seu lugar entrou
outro amigo de Ian e John, citado no começo desse artigo, Jeffrey
Hammond-Hammond. Jefrrey não era um músico profissional, e teve que
treinar muito para tocar com o Tull, mas com certeza ele foi um dos
membros mais carismáticos da banda, falava nos shows, lia o
jornal/encarte do álbum Thick As A Brick (1972) na turnê de 1972, escreveu e narrava a história da lebre que perdeu os óculos em 1973, etc.
O disco seguinte, talvez o mais famoso deles, por conter a faixa mais conhecida do Tull, Aqualung (1971),
tinha o mesmo nome dessa música e foi lançado em 1971. Nesse álbum as
letras, escritas por Ian Anderson com a participação de sua primeira
esposa Jennie Franks, contém fortes críticas à Igreja e à sociedade,
como nas músicas My God, a faixa título e Hymn 43, todas com um som
mais forte e intercaladas por músicas acústicas como Wond’ring Aloud,
Cheap Day Return e Slipstream. Esse disco foi muito importante na
carreira da banda, e talvez seja o grande responsável por faixas como
Locomotive Breath estarem o tempo todo tocando em rádios de Classic
Rock.
Depois de Aqualung, O baterista Clive Bunker, que vinha com o Tull desde
o inicío decide deixar a banda para se casar. Em seu lugar entra
Barriemore Barlow, grande baterista que ficaria no Tull até 1980. Com
essa formação são gravados os próximos 4 discos, a começar pelo
grandioso Thick As A Brick (1972),
de 1972. O TAAB, como é carinhosamente chamado pelos fãs, é um álbum
conceitual que contém uma única música com duração de 43 minutos de 50
segundos, dividida em duas partes originalmente por causa dos dois lados
do LP.
Nesse disco o Tull faz um rock progressivo da melhor qualidade, cheio
de mudanças de ritmo, mas com constantes retomadas e reinterpretações
do tema principal. Ele é tido até hoje como uma das obras primas máximas
do estilo. A letra é um caso a parte, o poema foi escrito por Ian
anderson, mas é creditado a um autor fictício, Gerald Bostock, que seria
apenas um garoto. Aliás, não só a letra mas o encarte original dos LP’s
era um caso a parte. Feito à semelhança de um jornal, cuja manchete é
sobre o garoto autor da letra, e com muitas páginas e reportagens, todas
vindas das cabeças de Ian, John e Jeffrey. Nos shows da turnê a música
ficava num tamanho imenso, chegando a 80 minutos. Isso incluía grandes
solos de flauta e bateria, além de uma parada onde Jeffrey lia algumas
das notícias do jornal do encarte.
No mesmo ano também foi lançado o famoso álbum duplo Living In The Past (1972), que é uma coletânea de músicas dos álbuns anteriores, com algumas versões ao vivo, outras nunca lançadas e singles. A Passion Play (1973),
segue a mesma linha do TAAB, uma grande música dividida nos dois lados
do LP, mas nesse caso há uma interrupção na música para uma história
sobre uma lebre que perdeu seus óculos. “This is The Story Of The Hare
Who Lost His Spectacles!”, é assim que John Evan anuncia com
irreverência a história narrada por Jefrrey Hammond-Hammond.
O restante do disco é muito bom, Ian toca sax reto em várias partes, e a
banda toda está em sintonia e impecável. Há algum tempo foi lançada uma
versão do disco com as faixas separadas, resultando em 16 faixas que
podem ser ouvidas separadamente, mas juntas formam o disco. Isso nos
mostra como esse disco é diversificado, com passagens muito diferentes,
mas mesmo assim interligadas.
Não foi um álbum bem criticado, e mesmo entre os fãs não é muito
lembrado. Pra mim ele é um dos mais esquecidos, e injustamente, da
discografia do Tull e em maior escala do rock progressivo. War Child (1974)
foi o ábum de 1974, e originalmente deveria ter sido um filme. O
projeto não foi em frente, mas o disco saiu. E é um bom disco do Tull,
contendo a acústica, bela e clássica faixa Skating Away On The Thin Ice
Of The New Day, a irreverente Bungle in the Jungle, e a animada The
Third Horrah. Que fã do Tull nunca gritou Horrah no começo dessa música?
Todas as outras músicas desse álbum são muito boas, com destaque para a
faixa título e Ladies.
War Child e o álbum de 1975, Minstrel In The Gallery (1975), estão classificados no site da banda ( http://www.j-tull.com
) como “Elizabethan / Medieval / Classical”. Uma classificação
interessante, e boa, sobretudo para o Minstrel In The Gallery. A capa do
álbum mostra uma festa medieval com um grupo de menestréis tocando ao
fundo. A faixa título começa acústica e com Ian cantando para depois
ganhar peso com a guitarra de Barre numa grande passagem instrumental
muito prog, e por último ir para uma parte mais rápida, onde Ian canta
novamente.
Uma belíssima música, em um álbum que trás várias pérolas, como Cold
Wind To Valhalla, Requiem e One White Duck / 0^10 = Nothing At All, as
três com belíssimos arranjos de cordas, fazem com que a o ouvinte se
sinta realmente ouvindo um grupo de menestréis na Inglaterra Medieval.
Destaque também para Baker St. Muse, faixa com mais de 16 minutos de
progressividade, com um bem trabalhado equilíbrio entre as partes
acústicas e elétricas.
Infelizmente, essa época de 1971 a 1975 é a que tem menos registros ao
vivo da história do Tull, e os existentes tiveram que esperar até as
caixas comemorativas de 20 e 25 anos para serem lançados, junto com
algumas outras raridades. Uma das coisas mais importante saiu no disco 2
da caixa de 20 anos, o The Chateau D’ Isaster Tapes, faixa de 11
minutos, que foi gravada com a intenção de ser o álbum que viria depois
de Thick as a Brick, mas que acabou sendo retrabalhada e se transformou
no A Passion Play. Aliás, segundo o próprio Ian em uma entrevista à uma
rádio inglesa, a intenção original era fazer um álbum duplo, que
conteria o APP, o Disaster Tapes e mais várias outras faixas, que
ficaram esquecidas até serem lançadas em 1993, no álbum Nightcap (1993).
Várias dessas faixas passaram a integrar o AAP em algumas partes, e
outras originaram músicas como Bungle in The Jungle, do álbum War Child.
Em matéria de vídeos é pior ainda, há um clipe de 75 com a banda tocando
Minstrel in The Gallery, em que é possível ver o famoso baixo listrado
de Jeffrey e interpretação genial da música por parte de todos. Além
desse há um vídeo do Jeffrey contando a história da lebre que perdeu
seus óculos.
Mas é claro que um fã persistente e procurando nos lugares certos pode
encontrar vários bootlegs desses anos, em uma qualidade não muito boa,
mas escutável, e alguns vídeos, a maioria de longe e gravados em Super
8, com qualidade bastante inferior. Mas eu ainda não acredito que não há
nada oficial gravado dessa época, e fica a esperança de um dia esse
material ser lançado para a alegria dos fãs.
Após o Minstrel, Jefrrey Hammond-Hammond aposenta seu baixo e volta a
fazer algo que sempre gostou, pintura, que pratica até hoje. Em seu
lugar entra o grande baixista John Glascock, que, entre outras, tocou na
banda Carmen, que misturava flamenco com rock progressivo. O álbum
gravado com essa formação se chama Too Old to Rock ‘n’ Roll: Too Young to Die! (1976),
um disco um pouco diferente do resto da produção do Tull, alegre e
descontraído, tem músicas muito boas, como a faixa título, Crazed
Institution, Taxi Grab, From A Deadbeat To An Old Greaser (com direito a
solo de sax de David Palmer) e Salamander, uma bela peça acústica que
lembra, em alguns momento, a Cold Wind to Valhalla, do álbum anterior.
Dessa época existem dois vídeos muito interessantes: um especial para
uma TV britânica, onde eles interpretam o álbum inteiro, faixa a faixa, e
de uma maneira muito irreverente, com Ian vestido como mulher e Barrie
Barlow se maquiando em Crazed Intitution, por exemplo. O outro é um show
em Tampa, na Flórida, com uma hora de duração (ao que parece é só a
primeira parte, a segunda é desconhecida), gravado com muitos closes no
Ian, e imagens mais amplas do palco principalmente nas partes
instrumentais. É um show memorável, com a banda toda mandando muito bem,
com solo de flauta virtuoso, passagem instrumental belíssima na parte
inicial do show e finalização com a nona sinfonia de Beethoven! O solo
de flauta é no meio de um grande Medley, que era tocado em 75 e 76, e
que tinha faixas mais antigas, como A New Day Yesterday, To Cry You A
Song, etc.
Nessa época o Tull começou a ter mais contato com o folk. Glascock vinha
do Carmen, uma banda folk, e a vocalista dela, Angella Allen, fez
backing vocals no disco. Maddy Prior, uma cantora folk inglesa também
faz backing vocals nesse álbum, e em 78 teve seu primeiro disco
produzido pelo Ian e todos os membros do Tull tocaram nele, em uma ou
outra faixa. Com tudo isso, em 1977 a banda decidiu fazer alguma mais
voltada pro folk, daí saíram três grandes álbuns, conhecidos como a
trilogia de álbuns folk.
Para começar esses trabalhos a banda ganhou o reforço oficial de um novo
membro, David Palmer. Disse reforço oficial, pois na verdade David
Palmer (que recentemente trocou de sexo e agora atende por Dee Palmer)
foi arranjador do Tull desde os primeiros álbuns e, no meu modo de ver
as coisas, ele é um dos grandes responsáveis pelos discos da chamada
fase de ouro, de fora dos palcos e depois dentro deles também.
Com essa formação é lançado o disco Songs From The Wood (1977),
uma das obras primas do Tull, com um som muito denso e coeso, como pode
ser ouvido logo de cara na faixa título, arranjos muito bem feitos e
execução impecável do novo membro David Palmer e dos outros músicos.
Contém clássicos como Jack-In-The-Green e The Whistler, onde Ian toca de
maneira sensacional uma flauta Thin Whistle, além de faixas que soam
muito folk mas também tem um “quê” de música medival, como Hunting Girl e
Velvet Green, que começa com um cravo.
Um álbum memorável de uma época única, que foi imortalizada também em
vídeo, num especial gravado no mesmo ano para a BBC de Londres, talvez
um dos melhores registros do Tull ao vivo, e infelizmente ainda não
lançado oficialmente também.
No ano seguinte é a vez do álbum Heavy Horses (1978),
que segue com o mesmo estilo do Songs From The Wood, com faixas como
One Brown Mouse, com sua letra singela, a bela Wathercock onde o cantor
conversa com um galinho do tempo, daqueles que mudam de cor quando vai
chover. Mas nem só de músicas acústicas é feito esse álbum, a faixa
título é mais pesada, com forte presença da guitarra de Barre, que em
certo ponto parece cantar junto com a voz do Ian. No Lullaby é outra
faixa marcante do álbum.
Nesse ano também é lançado o álbum ao vivo mais famoso do Tull, o duplo Live – Bursting Out! (1978).
Esse álbum é feito de faixas de diferentes apresentações da turnê
européia de 1978, e nos mostra uma banda no auge da boa forma, tocando
de maneira incrível seus maiores sucessos, músicas dos novos álbuns e
algumas instrumentais como Conundrum e Quatrain, que eram tocadas ao
vivo correntemente. Desse mesmo ano data um show no Madison Square
Garden, em Nova York, que foi televisionado por uma emissora italiana.
Um grande show, em que faz falta a figura de John Glascock. John se
encontrava doente, assim Tony Williams, um velho conhecido de alguns
membros da banda, assumiu o posto de baixista durante alguns shows, e
desempenhou bem esse papel.
Para fechar a trilogia folk, em 1979 foi lançado o álbum Stormwatch (1979).
Apesar de ser considerado um dos álbuns folk, o som dele difere um
pouco dos seus dois antecessores. É um álbum um pouco mais obscuro, com
uma certa dose de melancolia. Contém músicas maravilhosas, como North
Sea Oil, Orion e Dun Ringill, além da belíssima Home e da maravilhosa
peça chamada Elegy, uma das poucas em que John Glascock tocou. Essas
duas músicas são umas das mais emotivas do Tull. Mas a grande música do
disco é Dark Ages, ela começa devagar, com uma letra bastante
pessimista, e depois vai aumentando aos poucos até ganhar volume e ficar
mais rápida. Com maravilhosas passagens instrumentais, é uma das
músicas progressivas mais fortes e belas da banda. Há um vídeo dessa
época de um documentário da BBC chamado Lively Arts (com o Glascock
tocando junto) das músicas Sweet Drams e Dark Ages, é fantástico ver a
banda no palco e ao mesmo tempo é triste pensar no que viria a seguir,
pois em 79 também aconteceu algo triste na história do Tull. John
Glascock se encontrava internado por problemas cardíacos e a maioria das
partes de baixo do Stormwatch foram tocadas pelo próprio Ian. A turnê
do álbum começou com um baixista substituto, Dave Pegg, que tocaria por
muito tempo na banda. No meio da turnê John Glascock morreu. Era o
começo do fim da chamada Era de Ouro do Jethro Tull.
No final da turnê, Barriemore, muito abalado com a morte de John, já que
eram bons amigos, e também, dizem alguns, motivado pelas diferenças
musicais com Ian, que queria que as músicas fossem tocadas ao vivo
iguais às versões de estúdio e não era muito receptivo à sugestões de
mudança nos arranjos, deixou a banda. Nesse período Ian estava gravando o
que deveria ser seu primeiro disco solo, e para esse projeto convidou o
músico Eddie Jobson, grande tecladista e violinista, que já havia
tocado com Curved Air, Frank Zappa e UK,
entre outros, convidou também o baixista Dave Pegg, o baterista Mark
Craney e o guitarrista do Tull, Martin Barre. O disco ficou pronto e
ganhou o nome de A (1980)
(A de Anderson), mas a gravadora gostou muito do material e acabou
divulgando-o como o novo álbum do Tull, e assim ele foi lançado. Com
isso, David Palmer e John Evan deixam a banda, que começa a fazer shows
com a nova formação.